BPN tinha 200 obras de Miró em 2006

Foto

As obras de Miró que o Governo colocou à venda pertenciam a três off-shores da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), que dominava o BPN, e que foram adquiridas com crédito do banco a dois investidores espanhóis, De La Cierva, e que terão "ganho milhões em comissões".

Em 2006 o BPN tinha cerca de 200 obras do pintor catalão Joan Miró, parte delas adquiridas por 34 milhões de euros a Cazu Masa Katsuta, um investidor japonês que as havia adquirido, em 1990, em Nova Iorque, à galeria Pierre Matisse (do filho do pintor francês), contou recentemente o actual presidente da Parvalorem, Francisco Nogueira Leite

No quadro da Comissão de Inquérito ao BPN foi revelado que uma parte do acervo do BPN relacionado com o pintor catalão tinha chegado ao banco então liderado por Oliveira Costa por execução de dívidas de clientes internacionais. Do actual lote de 85 obras que o Governo pretende vender, a larga maioria pertencia a três sociedades off-shores (Zevin,Talcot e Karoma) detidas pela Sociedade Lusa de Negócios (hoje Galilei), que dominava antes da nacionalização o BPN. Os três veículos adquiriram em meados da década de 2000 as obras a dois investidores espanhóis, De La Cierva, os quais, segundo foi revelado no contexto do inquérito parlamentar, terão "ganho milhões em comissões". 

Mas a compra das obras de Miró pelas três off-shores do universo da SLN foi integralmente financiada pelo BPN, com aprovação de José Oliveira Costa. O principal arguido dos processos judiciais que estão a correr no Ministério Público, Oliveira Costa, era presidente, quando ocorreu a transacção, quer da SLN, quer do BPN. Mais tarde, já depois da nacionalização, as obras foram entregues à Parvalorem em pagamento de uma dívida. O valor que tem surgido na comunicação social é de 34,6 milhões de euros.

O Estado injectou no BPN, até Dezembro de 2012, 3405 milhões de euros, buraco que pode chegar a 6500 milhões de euros. O valor dos activos (parte de difícil valorização) não incluídos na privatização do BPN ao BIC Portugal, e que ficaram na esfera do Estado (para serem geridos e recuperados pela Parvalorem), segundo o que é referido na comunicação social, pode chegar a 5500 milhões de euros.