João Semedo considera injecção no BPN "um descaramento muito grande"

O coordenador do BE quer explicações sobre os 510 milhões de euros injectados no BPN.

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BPN foi nacionalizado em 2008 e reprivatizado seis anos mais tarde. Rui Gaudêncio

“Um descaramento muito grande”. Foi assim que o coordenador do Bloco de Esquerda (BE) João Semedo caracterizou esta segunda-feira a injecção de 510 milhões de euros de duas empresas que têm "o lixo tóxico" do BPN.

João Semedo – que iniciou domingo um roteiro para a saúde, com visitas a vários hospitais e centros de saúde – afirmou que o Governo tem que explicar porque "continua a meter dinheiro no poço sem fundo" que é o Banco Português de Negócios (BPN).

Esta "é mais uma mentira do Governo que anunciou, ao vender o BPN por 40 milhões de euros aos angolanos do BIC, que tinha resolvido finalmente o problema" do banco, mas "continua a meter dinheiro naquele poço sem fundo", acusou o bloquista.

Para João Semedo, além dos 510 milhões emprestados à Parvalorem e à Parups, criadas pelo Governo para absorverem o "lixo tóxico" do BPN, "há muitos outros fundos, muitos outros euros para explicar".

O coordenador do BE afirmou que o partido vai tomar, nos próximos dias, "novas iniciativas para perceber onde estão esses milhões que o Governo não pára de enfiar naquele buraco escuro, negro, fundo, que é o BPN".

João Semedo não percebe o porquê de as duas empresas em causa (Parvalorem e Parups) terem recebido um empréstimo superior a 500 milhões de euros depois de terem dado um prejuízo superior a 100 milhões. O bloquista pede explicações, sublinhando que em causa estão quase 650 milhões de euros do dinheiro dos contribuintes.

"Para quem tinha prometido resolver o problema, convenhamos que é um descaramento muito grande", afirmou, no final de uma visita ao Centro de Saúde de Salvaterra de Magos. 

Serviço Nacional de Saúde no “osso, no mínimo dos mínimos”
João Semedo criticou a forma como o Governo tem gerido o Serviço Nacional de Saúde (SNS). O Bloquista acusa o Executivo de ter deixado o SNS "no osso, no mínimo dos mínimos", situação que é bem visível pela espera a que os utentes estão sujeitos.

O BE  iniciou esta segunda-feira o roteiro no distrito de Santarém, com visitas aos centros de saúde de Rio Maior e de Salvaterra de Magos – dois exemplos daquilo que considera tratar-se da degradação do SNS.

"Hoje estivemos num centro de saúde que só tem um médico (Rio Maior) e neste, em Salvaterra de Magos, há médicos na sede mas não há para as extensões e é um pouco assim em todo o país", disse João Semedo aos jornalistas, frisando que, "de tanto corte no seu orçamento, o Serviço Nacional de Saúde está no osso, no mínimo dos mínimos".

Salvaterra de Magos é um concelho em que 41% dos seus cerca de 21.000 utentes não tem médico de família, uma situação que se agravará significativamente quando dois dos quatro médicos que estão na sede receberem autorização para se aposentarem.

Sem atendimento complementar, depois das 20h os habitantes do concelho têm que recorrer às urgências em Santarém ou em Coruche.

Em Rio Maior, a deputada bloquista Helena Pinto ficou "chocada" por ter encontrado no mesmo edifício uma Unidade de Saúde Familiar a funcionar bem e o centro de saúde com apenas um médico, num concelho com 7.500 utentes sem médico de família.

Helena Pinto disse à Lusa que na reunião que teve esta segunda-feira com a coordenadora do Agrupamento de Centros de Saúde da Lezíria foi informada de que na área abrangida por este ACES (Centros de Saúde) existem 25.000 pessoas sem médico de família.