Ana Gomes critica UE por “fechar os olhos” à corrupção

A ex-diplomata dá como exemplo os processos de privatização e as amnistias fiscais concediadas "a indivíduos e empresas que esconderam avultadas somas em paraísos fiscais".

A eurodeputada, Ana Gomes, está nos EUA até ao próximo sábado.
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Ana Gomes Foto: Fernando Veludo

A eurodeputada socialista reagiu esta segunda-feira ao relatório da Comissão Europeia sobre combate à corrupção apontando o dedo àquela instituição como uma das causas para a inexistência de uma estratégia para enfrentar o problema em Portugal.

"Tem  toda a razão a CE relativamente à ausência de uma estratégia para combater a corrupção em Portugal. Mas este relatório demonstra que a corrupção é, de facto, um flagelo europeu que galga fronteiras."

A eurodeputada defendeu que, em vez de “monitorizar Estados-membros”, a CE devia avançar com “acções concretas”. E acusou a equipa liderada por Durão Barroso de não ter aproveitado os programas de assistência aos países europeus para potenciar reformas na matéria: “Devo sublinhar que a Comissão, que faz parte da troika, nada tem feito para combater a corrupção e a fraude nos países sob assistência financeira. A Comissão continua a fechar os olhos a casos escandalosos e práticas que favorecem a corrupção em Estados-membros e entre Estados-membros, apesar das queixas específicas levadas ao seu conhecimento – como é clamoroso exemplo a aquisição de submarinos por Portugal a um consórcio alemão."

Segundo a socialista, as "troikas têm poder e oportunidade para pressionar os países intervencionados". Mas na prática, em Portugal – assegurou –, os peritos internacionais deixaram passar "privatizações opacas" e a "salvaguarda de lucros de corrupção através de amnistias fiscais".