Náufrago chega às Ilhas Marshall 16 meses após sair do México

Tartarugas, pássaros e peixe apanhados com as mãos garantiram sobrevivência de um de dois homens perdidos no mar desde Setembro de 2012.

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A embarcação foi avistada pelos habitantes do atol, no sul do arquipélago David Gray/Reuters

Bastante magro e abatido, um náufrago foi resgatado na quinta-feira a mais de 12.500 quilómetros do México, de onde garante ter saído há 16 meses. O homem chegou a um afastado atol das Ilhas Marshall numa embarcação arrastada pelo mar.

De barba por fazer e de cabelo comprido, o homem foi avistado pelos habitantes, numa embarcação de sete metros de comprimento, com motores sem hélices. “O seu estado não é bom, mas está a melhorar”, disse por telefone Ola Fjestad, estudante norueguês de antropologia que está no atol de Ebon a fazer trabalho de investigação.

O homem resgatado, que usava apenas uma cueca em trapos, contou que saiu do México rumo a El Salvador em Setembro de 2012. Partiu acompanhado por um outro homem, mas o companheiro de viagem morreu no mar há vários meses.

O náufrago – que se identificou como José Iván – explicou a Fjestad que sobreviveu comendo tartarugas, pássaros e peixe, além de beber sangue de tartaruga quando não chovia. Iván disse ter capturado os pequenos animais com as mãos. Na embarcação, que “parece ter estado na água por muito tempo”, não havia nenhum equipamento de pesca.

Outros casos parecidos já foram registrados. A 9 de Agosto de 2005, três mexicanos saíram para pescar de um porto da costa mexicana no Pacífico. Depois de ficarem sem gasolina e de uma avaria no motor, foram arrastados mar adentro pelas correntes.

Mais de nove meses depois foram resgatados por um atuneiro taiwanês, frente às Ilhas Marshall. Sobreviveram comendo peixe e aves marinhas crus e bebendo a água da chuva que armazenavam no fundo do bote.

Em 1992, outros dois pescadores de Kiribati sobreviveram 177 dias no mar antes de chegarem a Samoa.