António Costa afirma que o serviço prestado pela Siemens na manutenção dos semáforos "não é aceitável"

O presidente da Câmara de Lisboa ameaçou rescindir o contrato com a empresa, se as avarias persistirem.

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Miguel Madeira

O presidente da Câmara de Lisboa considera que o serviço de manutenção e assistência técnica dos semáforos da cidade que está a ser prestado pela Siemens “não é aceitável” e ameaça rescindir o contrato com a empresa, em vigor até 2016.

Foi o vereador social-democrata António Prôa quem levou à reunião camarária de quarta-feira o problema dos muitos semáforos avariados um pouco por toda a cidade. A título de exemplo, o autarca, que já há um mês tinha pedido ao presidente do município explicações sobre este assunto, apontou a Praça de Londres, a Rua das Pretas e a Avenida Fontes Pereira de Melo.

“O tempo passa e os problemas se não pioram, pelo menos mantêm-se”, lamentou António Prôa, questionando o executivo municipal sobre que medidas tinha desenvolvido para resolver a situação. “O serviço que está a ser prestado não é aceitável. Se as coisas não se resolverem, teremos de tirar consequências contratuais”, respondeu-lhe António Costa.

O presidente da Câmara de Lisboa adiantou que a Siemens, que em seu entender “tem revelado incapacidade para tomar conta da manutenção dos semáforos”, tem alegado dificuldades com a obtenção de material necessário para a reparação das avarias. Uma justificação que António Costa, que tutela o pelouro da Mobilidade, não aceita: “Quem concorreu, concorreu e devia saber, na altura, de que material precisava”, disse, referindo-se ao facto de a empresa ter assumido a manutenção e assistência técnica dos semáforos na sequência de um concurso público lançado para o efeito.

Mas o anterior vereador da Mobilidade da Câmara de Lisboa, e actual deputado da Assembleia Municipal, diz que a questão não é assim tão simples. Segundo Fernando Nunes da Silva, “grande parte das peças de substituição é muito antiga e não existe facilmente no mercado”, sendo o seu único fornecedor a Eyssa-Tesis, que entre 1994 e 2012 foi responsável pela manutenção dos semáforos. O problema, diz o autarca, é que essa empresa “recusa vender” peças à Siemens.

Fernando Nunes da Silva acredita que a única solução, caso a Câmara de Lisboa não queira continuar “nas mãos de um único fornecedor”, é o município investir na substituição das peças dos semáforos e dos pontos de controlo existentes nos cruzamentos.

Em respostas escritas a um pedido de esclarecimentos enviado pelo PÚBLICO, a Siemens sublinha que desde Julho de 2013, quando começou a assegurar a manutenção dos semáforos, tem procurado "assegurar o bom funcionamento" dos mesmos.

Quanto às declarações de António Costa, a empresa diz que estas se referem a "uma situação excepcional derivada da tempestade do passado dia 17 de Janeiro, que teve um forte impacto nos sistemas". "A maioria das situações foi reposta imediatamente, mas devido ao número anómalo de incidências, que exigiu um consumo anormal de um tipo específico de equipamentos, verificou-se um atraso na resolução de duas situações em concreto: Praça José Queiroz e Praça de Londres", explicita a Siemens, acrescentando que a última já foi resolvida.

"Esta foi de facto uma situação pontual mantendo-se a melhoria contínua dos indicadores de manutenção desde Julho passado, data em que iniciámos as operações", conclui a Siemens, recusando comentar a ameaça feita pelo presidente da Câmara de Lisboa de rescindir o contrato com a empresa por incumprimento do mesmo.

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