A Gaiola Dourada nomeada para os Césares, prémios que estendem o escândalo Hollande ao cinema

O filme de Ruben Alves concorre a Melhor Primeiro Filme. Entre os nomeados encontra-se também Julie Gayret, nome muito citado nos últimos tempos pelo caso com o presidente francês François Hollande

O realizador Ruben Alves (foto ao lado), filho de uma porteira e de um operário, homenageia em A Gaiola Dourada, a história dos pais
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A Gaiola Dourada, nomeada para Melhor Primeiro Filme, poderá dar um César ao realizador Ruben Alves Julien PANIE

A Gaiola Dourada foi o filme mais visto em Portugal em 2013. Foi também distinguido com o Prémio do Público nos últimos Prémios da Academia de Cinema Europeu. E agora a história da família portuguesa emigrada em França surge também destacada pela Academia de cinema do país em que foi rodada. Ruben Alves, o realizador, está entre os nomeados para Melhor Primeiro Filme dos Césares, habitualmente descritos como os Óscares franceses.

Na cerimónia que terá lugar dia 28 de Fevereiro no Théâtre du Châtelet, A Gaiola Dourada concorrerá com La Bataille de Solférino, de Justine Triet, En Solitaire, de Christine Offenstein, La Fille du 14 Juillet, de Antonini Peretjatko,  e Les Garçons et Guillaume, à Table!, de Guillaume Galienne.

Ao anúncio dos nomeados, quinta-feira, seguiu-se imediatamente um debate e, ao mesmo tempo, aquilo que alguns apelidam de escândalo. O debate prende-se com A Vida de Adèle. O filme de Abdellatif Kechiche, Palma de Ouro em Cannes, está nomeado para Melhor Filme, Melhor Actriz (Léa Seydoux), Melhor Argumento Adaptado (pelo trabalho de Ghalya Lacroix sobre a banda-desenhada original de Julie Maroh) e Maior Esperança Feminina (Adèle Exarchopoulos). É precisamente a categoria em que Adèle Exarchopoulos surge nomeada que lançou o debate na edição francesa da publicação online Slate.

“O verdadeiro escândalo nos Césares não está onde pensam”, escrevia ontem Charlotte Pudlowski. O escândalo será, para a crítica, “a jovem actriz, espantosa em A Vida de Adèle, e a quem atribuiríamos o César de melhor actriz sem hesitar, ter sido desviada das nomeações (ao contrário da sua companheira Léa Seydoux) e tenha que se ‘contentar’ com uma nomeação ao César de revelação feminina”. O contra-argumento defenderá que, dessa forma, abre-se a possibilidade de as duas actrizes serem distinguidas.

Mas, posto isto, qual é o escândalo que esconde o verdadeiro escândalo de que fala a Slate? É a política, pois claro. E a alcova. Julie Gayret, a actriz que deu origem a um escândalo, repita-se o substantivo, pelo muito mediatizado caso com o presidente francês, François Hollande, surge nomeada na categoria de Melhor Actriz Secundária por Quai d’Orsay, de Bernard Tavernier - onde, curiosamente, interpreta um papel político, o de conselheira para África do ministro dos Negócios Estrangeiros francês. A citada Slate ironizava com a situação, imaginando o raciocínio dos membros da Academia na altura da escolha: “Vou votar na Julie Gayret, ela merece estar sob os holofotes, não tem muito essa oportunidade”.

Para completar o périplo político das nomeações, refira-se que Marisa Borini, mãe de Carla Bruni, logo sogra do ex presidente francês, Nicolas Sarkozy, concorre com Julie Gayret. Também surge nomeada para melhor actriz secundária, por em Un Chateau en Italie, realizado por Valeria Bruni Tedeschi, filha de Borini, irmã de Carla.

A muito mediatizada interpretação de François Hollande enquanto distribuidor de pizzas motorizado foi, por sua vez, ignorada pela Academia francesa.