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Açores anunciam concurso internacional para corte e venda de madeira de matas públicas

Na ilha das Flores, nos Açores, uma pessoa em cada 140 sofre desta doença - de longe o recorde mundial
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Na ilha das Flores, nos Açores, uma pessoa em cada 140 sofre desta doença - de longe o recorde mundial Paulo Ricca

O Governo dos Açores anunciou nesta quinta-feira um plano de "rentabilização da fileira da madeira" que começa com a abertura de um concurso internacional para o corte e venda este ano de 103 hectares de árvores em matas públicas.

O concurso público internacional será lançado na sexta-feira e prevê que os vencedores procedam ao abate das árvores (da espécie criptoméria), à sua venda para fora do mercado açoriano e à reflorestação das zonas cortadas, segundo um plano de gestão já elaborado, revelou a Secretaria Regional dos Recursos Naturais.

Este plano de gestão prevê a reflorestação das áreas cortadas com maior diversidade de árvores, recorrendo, por exemplo, a árvores exóticas (não autóctones) mas que já existem nos Açores e são produzidas nos viveiros do arquipélago.

Para além disso, a reflorestação, que tem em conta critérios ambientais e de sustentabilidade, prevê ainda faixas de protecção das linhas hidrográficas e de protecção dos solos, entre outros aspectos.

Nos Açores há 71 mil hectares de floresta (31% do território das ilhas), sendo 12.698 criptoméria. Sob gestão pública estão 4.500 hectares desta espécie.

O objectivo é começar, em 2014, por 103 hectares localizados em zonas dos concelhos do Nordeste, Povoação e Ribeira Grande (ilha de S. Miguel), mas depois prosseguir com o projecto todos os anos.

"A esse ritmo anual, temos produto para muitos e muitos anos. Portanto, é uma actividade que nós queremos que tenha alguma perenidade e conforme as coisas estão definidas - à medida que vamos cortando vamos replantando - temos expectativa de que seja uma actividade que se perpetue no tempo de forma sustentada", afirmou o secretário regional dos Recursos Naturais, Neto Viveiros, na apresentação do projecto, no concelho do Nordeste.

Neto Viveiros destacou que este projecto tem preocupações e objectivos ambientais e de reorganização do espaço florestal e que "o estudo de incidência ambiental" que foi realizado aponta para impactos considerados irrelevantes. Mas acrescentou e sublinhou que "é uma actividade económica também" e que tem entre os seus objectivos fundamentais a criação do emprego e de um novo sector económico nos Açores, ligado à madeira.

"Não podemos indefinidamente ter estas árvores a crescer e assistir à sua morte. Temos sim de explorá-las conforme é normal numa actividade desta natureza", sublinhou.

Neto Viveiros explicou que os vencedores do concurso público internacional terão de abater e tratar a madeira nos Açores, mas serão obrigados a vendê-la para fora do arquipélago para não colidir "com os interesses do mercado regional".

"Para não saturar o mercado regional, porque temos consciência de que a quantidade de madeira que vai sair daqui é uma quantidade bastante significativa para aquilo que é o negócio habitual da madeira. É a primeira vez que se faz uma operação desta dimensão", explicou.

Os 103 hectares a abater em 2014 deverão traduzir-se em 65 metros cúbicos de madeira para vender, segundo Neto Viveiros, que revelou que há empresas interessadas em concorrer dos Açores, do continente, dos EUA e de alguns países europeus. Quanto a mercados possíveis de destino da madeira, referiu também os EUA e alguns países europeus.

As árvores deverão começar a ser cortados até final do primeiro semestre de 2014 e a reflorestação terá de estar concluída até final do ano.

Neto Viveiros revelou que uma "área piloto" de criptomeria localizada na Achadinha, Nordeste, conseguiu entretanto uma classificação, por uma empresa internacional, por boa gestão florestal, dizendo que é uma "mais-valia" para o produto e que o objectivo é alargar esse reconhecimento a todas as matas açorianas.

Já a directora regional dos Recursos Florestais, Anabela Isidoro, acrescentou que se tentou minimizar o impacto paisagístico da intervenção nas diversas zonas que serão cortadas, isolando áreas relativamente pequenas de cada vez ou tentando que de uma área de corte não se veja outra, por exemplo.

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