O herói de guerra Cory Remsburg foi aplaudido de pé no Congresso e o mundo assistiu

No seu discurso Estado da União, o Presidente Barack Obama homenageou o sargento de 28 anos como exemplo do melhor que a América tem e representa.

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Uma palavra de reconhecimento do Presidente Barack Obama no seu discurso Estado da União, ao herói da guerra do Afeganistão Cory Remsburg, e a resposta deste, num aceno e um sorriso cúmplices como se os dois há muito se conhecessem. O veterano de guerra, estava entre os convidados no Congresso, para a noite do discurso esta terça-feira.

Foi quando Obama o homenageou como um símbolo do melhor que a América tem e representa – lembrando como Cory nunca desistiu de voltar a ser o que era depois de quase sucumbir à forte explosão de uma bomba numa estrada do Afeganistão – que Democratas e Republicanos se uniram numa longa e emocionada ovação de pé.

O momento foi captado pelas televisões e a história corre os títulos dos jornais na Net: à homenagem de Obama, o sargento, sentado ao lado da primeira-dama Michelle Obama, levantou-se e respondeu com um sorriso, antes de erguer convictamente o polegar, num sinal optimista de que tudo está bem, apesar de quase ter morrido no Afeganistão, para onde foi enviado em missão em 2009.

Dezenas de cirurgias
Esmagado pela força de uma bomba de 250 quilos, que explodiu junto a uma estrada perto de Kandahar, ficou gravemente ferido com os estilhaços na cabeça e no olho. Permaneceu em coma mais de três meses, antes de acordar no início de 2010 para iniciar o longo caminho do restabelecimento. Em três anos, Remsburg foi submetido a dezenas de intervenções cirúrgicas e a horas infindáveis de fisioterapia. Hoje, fala com dificuldade, mas fala. E consegue mover-se, embora com dificuldade, porque o seu lado esquerdo ainda não acompanha o lado direito do corpo. Remsburg, que se juntou ao Exército no dia em que fez 18 anos, foi ainda com essa idade integrado na missão de invasão do Iraque em 2003. Até 2009, foi dez vezes destacado em missões no Iraque e Afeganistão.

Milhares de soldados, ao serviço dos Estados Unidos, nessas duas guerras do pós-11 de Setembro, passaram por experiências como a de Remsburg. Mas foi ele que Obama citou como exemplo de perseverança e símbolo de uma América que nunca desiste. Já antes o tinha feito num discurso no Senado quando prometeu que “a mais longa guerra da América” tinha chegado ao fim, com a retirada de 60 mil militares do Afeganistão.

Mais uma vez, citando o caso do sargento Remsburg, Obama dissera, no ano passado, a um grupo de veteranos feridos no Iraque ou no Afeganistão: “A sua recuperação – como a de muitos de vocês – vai durar uma vida. Mas ele não desistirá, porque vocês também não desistiram”. 

Os dois já se conheciam. E o mesmo gesto – de polegar erguido – tinha o sargento Remsburg feito quando Obama, numa das suas visitas a veteranos de guerra feridos, e em tratamento em hospitais militares, o viu acamado em Maryland, ainda em 2010.

Presidente e soldado
Cory Remsburg não falava e quase não se mexia. Mas quando o Presidente lhe perguntou como estava, Remsburg levantou o braço e deu um forte aperto de mão a Obama antes de erguer, também aí, o polegar. O Presidente reconstituiu esse encontro, citado num artigo de Agosto do ano passado, a que o New York Times deu o título “Presidente e Soldado: 3 encontros, e uma lição de resiliência”. E contou como “Cory deu um passo, depois outro , e ainda outro, até atravessar de ponta a ponta o quarto do hospital.” Na parede desse quarto, o Presidente reparou que estava uma fotografia dos dois, captada no dia em que os dois se conheceram nas comemorações em 2009 do 65.º aniversário do desembarque das tropas que levou ao fim da II Guerra Mundial na Normandia.

Três meses depois desse primeiro encontro, Remsburg partia para a missão que quase viria a ser-lhe fatal.
“Os seus camaradas encontraram-no num canal, com a cabeça para baixo, submersa e cheia de estilhaços”, lembrou Obama no final do discurso desta terça-feira, antes de dizer: “Homens e mulheres como Remsburg lembram-nos que a América não se construiu facilmente. A nossa liberdade, a nossa democracia, não foram fáceis de alcançar. Por vezes, vacilamos, cometemos erros, sentimo-nos frustrados ou sem força. Mas durante mais de 200 anos, conseguimos pôr isso de lado e colocar o nosso ombro colectivo na roda do progresso.”

Obama descreveu como o soldado Remsburg, ainda cego de um olho e com limitações do lado esquerdo, se submeteu a dezenas de intervenções cirúrgicas e a horas sem fim defisioterapia, nota o Los Angeles Times. Só assim, reaprendeu a falar, a erguer-se, a caminhar. O seu trabalho continua, disse Obama, “para um dia poder voltar a servir o seu país”.
“A América que queremos para os nossos filhos” é uma nação “crescente” onde, entre outras coisas, “o trabalho honesto abunda” e “as comunidades são fortes”. “Não é fácil”, avisou. “Mas se trabalharmos juntos; se convocarmos o melhor que há em nós”, concluiu” é algo que está ao nosso alcance.”