Grande distribuição quer alternativas a uma eventual taxa sobre sacos de plástico

Assunto já foi discutido com Ministério do Ambiente. Cobrar 15 cêntimos por cada saco aos consumidores rendia ao Estado 30 milhões de euros por ano

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Consumo está a sustentar o ritmo de crescimento Daniel Rocha

O assunto já foi discutido com o Ministério do Ambiente mas não há, para já, qualquer novidade sobre o tema. Fonte oficial diz apenas que a tutela “tem vindo a estudar diversas questões relacionadas com a fiscalidade verde, e, no momento oportuno, adiantará mais informação”. Ao mesmo tempo, Bruxelas quer reduzir o consumo de sacos com uma espessura inferior a 0,05 mm. Contactada, a mesma fonte esclarece que “a proposta da Comissão Europeia continua em debate técnico e diplomático, pelo que é ainda prematuro adiantar a posição portuguesa”.

Para a grande distribuição, o trabalho de casa já está a ser feito. “O sector organizou-se e está activamente a diminuir a utilização de sacos de plástico. Temos partilhado com o Ministério do Ambiente os nossos resultados e propusemos medidas centradas nos consumidores”, explicou Ana Isabel Trigo de Morais, presidente da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), que representa empresas como a Sonae (dona do Continente e do PÚBLICO) ou Fnac. Ana Morais acredita que têm sido dados “passos consistentes” nesta matéria e garante que o sector está disponível para encontrar “formas alternativas à aplicação de taxas”.

“É visível a olho nú que tivemos resultados excelentes, os consumidores estão a usar sacos alternativos. Aplicar taxas seria correr o risco de levar as pessoas a utilizar outros materiais, eventualmente mais danosos em termos ambientais. Com a sensibilização os resultados são mais duradouros”, defendeu a responsável.

A APED não tem números sobre a redução de sacos de plástico, mas dá como exemplo o saco verde reutilizável que a própria associação colocou à venda nos híper e supermercados. Entre 2002 e 2013, foram adquiridos 19.900 sacos, usados em alternativa aos de plástico.

Cadeias como o Ikea, Pingo Doce ou Lidl já cobram ao consumidor, mas há muitas outras onde o saco é gratuito. A generalização desta medida esteve em cima da mesa em 2007, no Executivo de José Sócrates, que pretendia cobrar cinco cêntimos, valor que seria revertido para o Instituo de Conservação da Natureza. No final desse ano, o Governo acabaria por recuar, depois de grande contestação do sector do comércio.