EUA e Reino Unido têm técnicas para espiar aplicações móveis

O jogo Angry Birds e os Google Maps estavam entre os que podiam ser usados pelos serviços de informação para recolher dados dos utilizadores.

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O Angry Birds é um jogo muito popular para smartphoneshttp://www.publico.pt/mundo/noticia/nsa-acedeu-a-194-milhoes-de-sms-por-dia-em-todo-o-mundo-1620005smarto Peter Hirth/Frankfurter Buchmesse

A Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês) e a congénere britânica, o Quartel-General de Comunicações do Governo (GHCQ), desenvolveram técnicas para recolher informação de aplicações móveis. Internamente, deram o popular jogo Angry Birds como um exemplo de como podem ser obtidos dados dos utilizadores e trocaram métodos sobre como explorar os Mapas Google e as aplicações de redes sociais como o Facebook, Twitter e Linkedin.

A revelação faz, mais uma vez, parte dos documentos secretos entregues aos media pelo ex-analista informático Edward Snowden.

Dependendo das aplicações, é possível àquelas agências recolher dados como o sexo, preferência sexual e localização geográfica. Este tipo de informação é muitas vezes fornecido pelas aplicações a redes de publicidade, que as usam para exibir anúncios direccionados, e o jogo Angry Brids é uma das aplicações que transmite informação a anunciantes. Os serviços de informação seriam capazes de recolher os dados quando estes eram transmitidos.

Para além disto, os documentos também explicam ser possível obter informação geográfica através das pesquisas feitas nos mapas do Google ou da informação contida nos ficheiros das fotografias partilhadas pelo Facebook, por exemplo. A Rovio, empresa criadora do Angry Birds, negou ter qualquer ligação às agências de informação dos dois países.

A notícia é o resultado de uma investigação conjunta do britânico The Guardian, do americano The New York Times e da organização jornalística sem fins lucrativos ProPublica. As datas dos documentos analisados oscilam entre 2007 e 2011.

Os Mapas Google eram um alvo preferencial dos serviços de informação. Um relatório de 2008 dos serviços britânicos refere que a precisão com que a aplicação consegue localizar o utilizador “significa efectivamente que qualquer pessoa a usar os Mapas Google num smartphone está a trabalhar ao serviço de um sistema da GCHQ”.

Não é a primeira vez que nos documentos obtidos por Snowden surgem referências a programas para recolher informação de telemóveis. Ainda este mês, os mesmos jornais publicaram a notícia de que a NSA recolheu milhões de SMS em todo o mundo.