Museu da Resistência e Liberdade a instalar na antiga cadeia do Aljube só abre em 2015

Câmara de Lisboa atribui a "questões processuais" o atraso que impede que o novo espaço abra a tempo das comemorações do 40.º aniversário do 25 de Abril.

O futuro Museu da Resistência e Liberdade, na antiga cadeia do Aljube, em Lisboa, não vai abrir portas a tempo das comemorações do 40.º aniversário do 25 de Abril, disse à agência Lusa fonte da Câmara de Lisboa.

O gabinete de imprensa da autarquia disse à Lusa que as obras no espaço estão atrasadas "devido a questões processuais" e que os trabalhos só devem estar concluídos em Dezembro de 2014.

O museu que é apresentado como "um espaço de memória e de evocação da luta pela liberdade e da resistência à ditadura em Portugal" será, assim, inaugurado apenas em 2015, e não este ano, a tempo das comemorações dos 40 anos da revolução, como estava inicialmente previsto. "Em Abril deste ano será apresentada uma primeira versão dos conteúdos", acrescentou a mesma fonte, informando também que ainda não foi designado um director para o espaço.

No ano passado, na apresentação do projecto, o presidente da Câmara, António Costa (PS), afirmou que o Museu do Aljube pretende "preservar a memória e ser uma transmissão de gratidão a todos aqueles que se bateram contra a ditadura durante 48 anos".

O edifício foi entregue em 25 de Abril de 2009 pelo Ministério da Justiça à Câmara de Lisboa, por iniciativa do então ministro Alberto Costa (PS).

Presume-se que o Aljube tenha sido uma prisão política a partir de 1928. Aí eram encarcerados, interrogados e torturados pela polícia política os presos do sexo masculino.

Nos anos 40 do século passado, o espaço acolheu muitos dos presos políticos durante a fase de interrogatório, que decorria geralmente na sede da polícia política (PIDE), na rua António Maria Cardoso.

O projecto de adaptação da antiga prisão é dos arquitectos Manuel Graça Dias e Egas José Vieira e o programa de conteúdos em exposição está a ser coordenado por uma comissão instaladora que convidou várias personalidades, representadas na primeira apresentação do projecto por António Borges Coelho, um ex-detido no Aljube.

Estima-se que a obra de conversão do edifício em museu custe cerca de 1,5 milhões de euros.