Marinho e Pinto, o candidato “formiguinha” que não precisa da política para nada

O ex-bastonário dos Advogados promete fazer a diferença nas eleições europeias. Se for eleito para Bruxelas, deixará de ser advogado. Porque sempre combateu as "promiscuidades".

Marinho e Pinto esta sexta-feira na apresentação da sua candidatura pelo MPT às europeias de Maio
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Marinho e Pinto esta sexta-feira na apresentação da sua candidatura pelo MPT às europeias de Maio Rui Gaudêncio

Marinho e Pinto, que esta sexta-feira apresentou, em Lisboa, a sua candidatura pelo Movimento Partido da Terra (MPT) às eleições europeias, teve, ao longo de 20 anos, vários convites de partidos políticos. Para lugares elegíveis, disse. Mas recusou sempre. O que move o ex-bastonário da Ordem dos Advogados é a introdução de “verdade” na vida pública e denunciar o “logro” que se instalou na vida política

A corrida em que agora entra para as eleições marcadas para 25 de Maio não é, por isso, contra os partidos. Até porque há mais de um ano ofereceu-se a um: “Fui eu que me convidei", disse. E explicou que "em democracia só se chega ao poder através do voto, mas não é lícito alcançar o poder com recurso à mentira, ao logro e à fraude política. Quero trazer mais verdade à política portuguesa”.

Ontem, num hotel de Lisboa, Marinho e Pinto consumou a sua primeira promessa eleitoral. Se for eleito ou se tiver forma de influenciar essa decisão, serão criados em todo o país tribunais de competência genérica. A localização do primeiro já está escolhida: Ribeira de Pena. “O Estado não pode fugir do interior do país”, justificou.

Mas qual é o eleitorado de Marinho e Pinto e quais são as bandeiras com que fará campanha para o Parlamento Europeu? Primeiro aviso à navegação: “Costumo dizer que a maior invenção depois da roda foi o voto secreto. Os cidadãos que escolham em consciência. Não preciso da política para nada, faço este ano 64 anos, estou a pouco mais de um ano da reforma”. Para logo depois acrescentar: "Não sou megalómano nem tenho ilusões, mas como formiguinha ou grão de areia tentarei fazer a diferença”.

Sem apelos ao voto, o advogado deixou algumas garantias. Não será “advogado se for deputado”, porque sempre combateu essa “promiscuidade”. Sem ilusões de que não dispõe das máquinas dos grandes partidos, tentará compensar essa diferença com o seu programa. Foi aliás assim que respondeu quando questionado sobre o financiamento da sua candidatura, que ficará inteiramente a cargo do MPT: “Eu não tenho dinheiro. Vamos colmatar isso com propostas”.

A linha programática está assente nos pilares do MPT: Liberdade, Justiça e Solidariedade. "Liberdade de imprensa, sobretudo", justiça para combater “o crime económico e o tráfico de influências” e solidariedade para com mulheres, crianças, idosos e imigrantes, com o foco na “violência doméstica”.

À Europa, o advogado dedicou palavras contra "os burocratas" que a governam, homens sem "a grandeza moral" de outrora e definiu o almejado regresso às origens, ou seja, uma União Europeia solidária, do cidadão, da liberdade e da paz. Com um ponto assente: é necessária uma efectiva regulação do sistema financeiro e ampliar a supervisão bancária.

No hotel lisboeta onde decorreu o anúncio, os apoiantes de Marinho e Pinto faziam apostas de quanto tempo aguentaria o protagonista sentado até começar a falar de pé. Não se levantou. Mas exaltou-se quando, já no final, lhe perguntaram, sobre a co-adopção e o famigerado referendo. Disparou para o PS para o PSD.

A favor do referendo e contra a co-adopção por casais do mesmo sexo – “um homem não substitui a mãe de uma criança” -, o advogado considera que a matéria deve ser amplamente discutida pela sociedade e não por “essa maioria de iluminados que se infiltrou no PS” e que fez o partido mudar de posição em “180 graus”. Mas os deputados do PSD também se "degradaram tanto" quando violaram a consciência e o seu eleitorado para não violarem a disciplina de voto partidária.

Se a esta disputa eleitoral se seguirá outra, é cedo para saber. O candidato a eurodeputado poderá avaliar a hipótese, mas não agora. “Isto não é passageiro. Vou continuar ligado ao partido, mas também tirarei as minhas ilações, não cometo o mesmo erro duas vezes”, adiantou.