Só uma das seis vítimas mortais do Meco foi sujeita a despiste de drogas e álcool

Estado dos corpos inviabilizou colheita de amostras. Universidade Lusófona abre inquérito após notícias que associam tragédia a uma praxe.

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Domingo, passado um mês da tragédia, foi dia de homenagens no Meco Enric Vives-Rubio
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Vários estudantes da Lusófona estiveram na homenagem do passado dia 18 Enric Vives-Rubio
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Flores no areal em tributo aos seis jovens que morreram Enric Vives-Rubio
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As operações de resgate dos jovens desaparecidos a 15 de Dezembro duraram vários dias Miguel Manso
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O mar do Meco, muitas vezes severo, desta vez revelou-se fatal AFP/Francisco Leong

O elevado estado de decomposição dos corpos de cinco dos seis estudante da Universidade Lusófona que morreram numa praia no Meco, em Dezembro passado, não permitiu que fossem colhidas amostras para fazer testes de despistes de droga e álcool, que poderiam trazer mais alguma luz sobre o que se passou naquela madrugada trágica. Tal só foi possível no caso de Tiago André Campos, estudante do curso de Comunicação Aplicada ao Marketing, Publicidade e Relações Públicas, que foi a primeira vítima mortal a ser encontrada, umas horas depois do acidente.

Isso mesmo foi explicado ao PÚBLICO por uma fonte do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML), organismo responsável pela realização das autópsias aos seis jovens e que está agora a realizar os exames toxicológicos de Tiago André Campos.

“Foram colhidas amostras e os exames estão em curso, mas ainda não temos resultados”, adiantou ao PÚBLICO a fonte do INML, que precisou que os dados serão remetidos para o Ministério Público.

Inquérito na Lusófona
Esta segunda-feira, a Universidade Lusófona anunciou, através da agência Lusa, que vai abrir um inquérito interno para "aclaração dos factos" ocorridos na praia do Moinho de Baixo, no Meco, em Sesimbra, e "lançar luz sobre a génese do acontecimento" que vitimou os seis estudantes daquela instituição de ensino superior.

Num despacho conjunto do reitor da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Mário Moutinho, e do administrador Manuel Damásio, datado desta segunda-feira, a universidade determinou "abrir um inquérito para aclaração dos factos que tiveram lugar durante o fim-de-semana em que ocorreram as mortes dos estudantes".

No despacho da Lusófona considera-se que "decorrida esta etapa de gestão da dor que atingiu tão fortemente as famílias das vítimas", e que teve também "acentuada intensidade no país", este é o momento em que "se impõe lançar luz sobre a génese do acontecimento", pelo que importa trabalhar no sentido do "cabal esclarecimento do que aconteceu naquela noite na praia do Meco".

Comissão da praxe em silêncio
Antes, nem a Universidade Lusófona nem a associação académica da instituição comentaram as notícias várias que têm vindo a público, nomeadamente as avançadas pelo Jornal de Notícias e pelo Correio da Manhã, de que esteve mais uma pessoa na praia além do sobrevivente e de que na sexta-feira o dux da comissão de praxes foi “destituído” pelos colegas, na sequência deste caso.

“A académica Lusófona nada tem a ver com as praxes académicas, sendo essa actividade praticada e desenvolvida apenas pela COPA [Comissão Organizadora da Praxe Académica]”, respondeu a académica, por email.

“Neste momento, o responsável pela COPA é o dux honorário Fábio Jerónimo, pelo que ele é o único que pode responder às vossas questões (não temos qualquer tipo de contacto do mesmo)”, acrescenta.

O PÚBLICO tentou contactar Fábio Jerónimo através de uma mensagem enviada pelo Facebook. Tal como muitos outros alunos, também ele tem, desde 15 de Dezembro, data do acidente no Meco, um laço negro como foto de perfil nesta rede social, em sinal de luto.

O PÚBLICO contactou ainda, através de mensagens no Facebook, seis alunos que pelos comentários que têm feito nos últimos dias conheciam os jovens — comentários esses que são essencialmente de pesar.

Entre os alunos que não responderam às tentativas de contacto está ainda João Miguel Gouveia, que tem sido identificado como o dux à data do acidente e que foi o único a sobreviver à tragédia. O PÚBLICO sabe que este estudante tem estado a receber apoio psicológico, considerando o técnico que o acompanha que ele ainda não está em condições de falar sobre o que aconteceu no Meco. Fábio Jerónimo estará agora a substituí-lo na comissão de praxe.