Santos Silva alerta para o risco de apenas 13% confiarem na AR

Ex-ministro socialista defende que o PS deveria abrir eleições primárias aos simpatizantes para a escolha dos candidatos do partido.

Durante a conferência, que abordava os “políticos e novas formas de participação (e revolta)” e ainda “o fim da política como a conhecemos”, Santos Silva recorreu aos dados mais recentes de um estudo do Portal da Opinião Pública da Fundação Francisco Manuel dos Santos para sublinhar que se “acumulam os sinais de desfiliação”.

“No ano passado, só 13 por cento diziam confiar no Parlamento e nove por cento nos partidos, ao mesmo tempo que 33 por cento confiam nos sindicatos. O grau de interesse pela política, numa escala de 1 a 4, era apenas de 1,9”, ilustrou. Remetendo para o mesmo estudo, e questionando se os “alicerces sociais do sistema político estão em causa”, o antigo ministro sublinhou que em 2013 apenas sete por cento declararam ter assinado uma petição e participado numa manifestação.

O socialista considerou ainda, perante uma plateia cheia onde se incluíam o constitucionalista Pedro Bacelar de Vasconcelos, a ex-ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, e o presidente da Federação Distrital do PS Porto, José Luís Carneiro, que esses números representam, por enquanto, um “pequeno” risco para os partidos. Por outro lado, sublinhou a falta de alternativas aos partidos políticos e a certeza de que o “populismo crescente na europa” não irá aumentar esse risco em Portugal.

“Há, porém, que reflectir. O número é preocupante. Partidos como o PSD, PS e CDS-PP têm um problema que é o que as pessoas sentem como uma espécie de incapacidade de haver alternativa. As pessoas vêem que os partidos de poder e de governação estão hoje muito limitados na capacidade de defender os interesses nacionais”, acrescentou.

 

Abrir votações no PS a não-militantes

A sessão serviu para Santos Silva lançar igualmente algumas ideias para a organização interna do partido. A de maior destaque foi a defesa de que qualquer cidadão possa votar nas eleições internas do PS, “escolhendo os melhores socialistas para representar as nossas ideias em cargos públicos e políticos”.

“Parece-me que cada vez mais gente dentro do PS vai percebendo que as eleições primárias abertas a simpatizantes é o caminho. Isso é bastante mais interessante que as candidaturas decididas apenas pelos militantes do PS. É um modelo mais próximo do cidadão que, acredito, vai acontecer mais ano menos ano.”

Por outro lado, como professor universitário, o socialista não se esqueceu do corte brutal nas bolsas de doutoramento e pós-doutoramento atribuídas pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia – dos 3416 candidatos só 298 receberam bolsa. “Acho isso absolutamente horrível do ponto de vista do interesse do país”, disse Santos Silva, que não deixou de criticar neste ponto o PS, considerando que o partido “deveria ter tido um porta-voz a liderar as críticas” à medida, “numa área que é de charneira do PS desde Soares”.

O antigo governante salientou também ainda acreditar na “vitória esmagadora” do PS nas próximas eleições europeias.