Comissão Europeia quer criar centro de combate ao extremismo

O recrutamento de europeus, sobretudo jovens, pela Al-Qaeda está a crescer, diz comissária dos Assuntos Internos.

São cada vez mais os jovens europeus que combatem na Sìria ao lado dos extremistas
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São cada vez mais os jovens europeus que combatem na Síria ao lado dos extremistas OZAN KOSE/AFP

A Comissão Europeia apresentou esta quarta-feira dez recomendações de reforço da luta contra a radicalização e recrutamento por parte de organizações extremistas. Entre as propostas, apresentadas pela comissária dos Assuntos Internos, Cecilia Malmström, está a criação, em 2015, de um "centro europeu de conhecimento" para "alimentar a reflexão e coordenar as iniciativas".

Se a ideia for aceite pelos governos europeus, a Comissão vai propor que esse centro receba 20 milhões de euros para trabalhar entre 2015 e 2017. "Não se trata de criar uma nova agência. Será um serviço encarregado de coordenar os especialistas e as actividades de investigação", disse Malmström.

"Nenhum país foi poupado ao extremismo violento, mas são poucos os Estados-membros da União que enfrentam esta ameaça", lamentou a comissária dos Assuntos Internos, durante a apresentação das medidas.

A comissária quer iniciar, na semana que vem, o debate sobre este tema, quando se realizar a reunião informal dos ministros do Interior da UE, a 24 de Janeiro, em Atenas (a Grécia preside neste semestre à União Europeia). Malmström disse à AFP que quer organizar uma conferência ministerial sobre o tema "durante este ano".

Apenas uma dezena de países se sentem afectados e preocupados pelo aumento de jovens europeus recrutados por organizações próximas da Al-Qaeda para combaterem na Síria. Estima-se que sejam 1200 os combatentes europeus. "São números comunicados pelos Estados, mas poderão estar aquém da realidade", disse a secretária europeia.

François Hollande, o Presidente francês, anunciou na terça-feira que 700 jovens, franceses e estrangeiros em situação ilegal no país, tinham partido para a Síria. Em Dezembro, o ministro do Interior francês, Manuel Vals,tinha falado em 400.

O problema, disse Cecilia Malmström, é grande, mas poucos Estados-membros se debruçam sobre ele. Ora, disse uma fonte europeia à AFP, esses recrutas utilizam o espaço Schengen e a facilidade que permite para viajar, quando se encaminham para a Síria. "A Síria não é o único país, há também [o problema] do Sudão e da Somália", acrescentou Malmström.

Entre as medidas apresentadas por Malmström está a cooperação entre a sociedade civil e o sector privado para responder aos desafios colocados pela Internet, em concreto "lutando contra a propaganda que se encontra na linha".

"Estamos em contacto com grupos como o Google, mas não podemos encerrar os sites, uma vez que surgiriam outros no seu lugar", disse a comissária, mencionando também o problema colocado por países onde estão servidores que alojam determinados sites que são protegidos pelas leis da liberdade de expressão. "Os Estados Unidos não vão modificar a sua Constituição."

Cecilia Malmström diz que tem de haver um contradiscurso que lide com a retórica extremista. E defende acções em escolas e o apoio de famílias onde existam antigos extremistas "arrependidos" e cuja "palavra pode ser uma ferramenta muito útil de prevenção e erradicação".

 
 
 
 

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