Aos 70 anos, Mercado da Foz, no Porto, quer renovar-se

Inaugurado há 70 anos, o mercado da Foz, no Porto, “precisa de uma viragem”, uma mudança que deverá passar por obras de requalificação que o transformem num local mais atractivo.

O mercado da Foz, no Porto, inaugurado no dia 15 de Janeiro de 1944, foi durante anos o local onde os lavradores da zona escoavam os produtos que cultivavam nos seus campos. O espaço comercial, que em 1953 passou da Câmara do Porto para a junta de freguesia da Foz do Douro, conta actualmente com 32 lojas e um quiosque.

O presidente da União de freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, Nuno Ortigão, afirmou à Lusa pretender que estes 70 anos do mercado, assinalados esta quarta-feira com a inauguração de uma nova loja no espaço, “marquem a sua viragem”. “Conseguimos que o mercado seja rentável, apresenta resultados positivos, mas tem um potencial brutal” que não deve ser desaproveitado, disse Nuno Ortigão.

A primeira medida a tomar é renovar todo o saneamento no mercado, sendo que em Abril deverá estar concluído o estudo e orçamento dessa empreitada. No curto prazo, destacou, também a cobertura deverá ser mudada.

A ideia do autarca, eleito pela lista independente de Rui Moreira, é apostar no mercado de frescos, “com preferência para pequenos negócios familiares, alguns deles já existentes na União de Freguesias, de modo a privilegiar os negócios de pequenos empreendedores”.

Mas o espaço deverá ser um mercado mais urbano, onde bancas de frescos, de produtos gourmet, pequenos restaurantes e outras lojas convivam em harmonia.

Nuno Ortigão referiu que “as lojas que actualmente têm clientes têm uma fidelização muito grande” e que esta dinâmica deve continuar, mas que interessa também atrair novos clientes e públicos. “Isto já começa um pouco a acontecer, porque no espaço de um ano abriram cinco novas lojas”, sublinhou, adiantando que não serão aceites novos lojistas até estar completamente definida toda a renovação do mercado.

A junta pretende ainda a curto/médio prazo estudar e implementar um novo regulamento, que permita alargar o horário de funcionamento do mercado, bem como criar novos expositores para os frescos e uma nova sinalética exterior, “que informe os lojistas existentes e o seu horário”.

O movimento do mercado começou a decair em 1953, quando muitos lavradores abandonaram o local, porque os seus campos na Foz foram dando lugar a construções.

O mercado acabou por ser entregue à junta em regime de concessão, a 1 de Outubro de 1953, por força dos locatários, que fizeram uma petição para que o órgão autárquico se interessasse pelo espaço e assim evitasse o seu encerramento.