Projecto de combate ao abandono escolar da EPIS aplicado com sucesso em Portugal e Europa

A escola da Apelação, em Loures, que acolheu o projecto-piloto durante um ano, vai continuar a aplicá-lo mas com menos técnicos e num universo de alunos menor.

O historial dos alunos do 4.º ano terá que ser enviado para as escolas onde realizam exames
Foto
Analista diz que, no espaço europeu, só existem exames de 4.º ano na Bélgica e na Turquia Fernando Veludo

Dos 26 alunos dos 15 aos 17 anos da escola da Apelação, em Loures, abrangidos pelo projecto RESLEA, que tem como objectivo reduzir o abandono escolar, 24 continuaram a estudar, tendo dois emigrado. O programa RESLEA, promovido pela EPIS – associação Empresários pela Inclusão Social, durou um ano e, para além de Portugal, estendeu-se também, com o apoio da União Europeia, ao Reino Unido, Hungria e Eslovénia, com resultados positivos.

O director da escola da Apelação, Félix Bolaños, diz que, quando chegou ao estabelecimento de ensino há 10 anos, o local era “violento”, com conflitos entre alunos e entre estes e professores. Hoje garante que a violência diminuiu e mesmo o abandono escolar situa-se actualmente entre os 2% e os 3%. Porém, a escola continua nos piores lugares dos rankings, os alunos continuam a ter resultados fracos, e os níveis socioeconómicos e de literacia dos encarregados de educação são muito baixos. Por isso, quando a EPI lhes lançou o desafio de acolherem o projecto RESLEA (Reduction of Early School Leaving of Young People), não hesitaram: “Dissemos logo que sim, nós precisamos”, conta.

Escolheram 26 alunos, num agrupamento que tem 475 e vai do pré-escolar ao 3º ciclo. No fim do ano, à excepção de dois que foram viver para o estrangeiro com os pais e dos quais a escola perdeu o rasto, ninguém desistiu dos estudos. Mas não só, garante o director: os alunos melhoraram o comportamento, a socialização, os métodos de estudo, a resolução de problemas e ganharam mais autonomia.

Uma das chaves do projecto RESLEA, que decorreu durante o ano lectivo de 2012/2013, é a proximidade. A metodologia é a do programa Mediadores para o sucesso escolar da EPIS e, no caso de Loures, contou com a intervenção de três técnicos - um psicólogo, um assistente social e um sociólogo – que acompanharam os alunos. A escola vai agora continuar a pôr o modelo em prática, mas já sem o sociólogo, devido aos cortes nas verbas da tutela, e com um universo de alunos mais reduzido – entre 12 e 14: “Ainda não estão identificados, podem ser os mesmos ou não”, nota o director.

A escola já acompanhava alunos em risco de abandono escolar ou com outro tipo de problemas, estando mesmo incluída no Programa de Territorialização de Politicas Educativas de Intervenção Prioritária, que tem como objectivos, entre outros, o sucesso educativo dos alunos, o combate à indisciplina, abandono escolar precoce e absentismo. O RESLEA permitiu, porém, diz o director, tornar a abordagem mais estruturada, no que respeita por exemplo ao tipo de questionários adoptados e ao próprio acompanhamento dos 26 alunos, 20 rapazes e seis raparigas, dos quais 96% já tinha chumbado pelo menos um ano e 92% tinha uma ou mais negativa no primeiro período.

O director-geral da EPIS, Diogo Simões Pereira, explicou que o modelo do programa Mediadores para o sucesso escolar foi simplificado, no âmbito do RESLEA, de forma a poder ser aplicado também ao Reino Unido, Hungria e Eslovénia. “É um programa fácil de adaptar e usar nos quatro países”, diz.

Para além do RESLEA, que terminou agora, a associação mantém, desde 2007, projectos de combate ao insucesso e abandono escolar em várias escolas e em parceria com autarquias e empresas. “Os primeiros que acompanhamos desde 2007 estão hoje nas universidades e fazer estágios profissionais”, diz Diogo Simões Pereira, salientando que neste momento são 80 as escolas do país abrangidas.

À agência Lusa, o responsável adiantou que, entre 2010 e 2012, a taxa de aprovação dos 2.451 alunos abrangidos pelo programa da EPIS, que prevê a actuação de mediadores, aumentou oito pontos percentuais, conseguindo que 68,2% passassem de ano. Em 2013, chegou a 1659 alunos e a taxa de aprovação aumentou nove pontos percentuais. As negativas também baixaram: de 27,8% em 2010/2011 para 27% em 2012/2013.