Ministério da Saúde admite negociar troca de seringas com farmácias

Contrato com Associação Nacional de Farmácias terminou em Novembro de 2012.

O secretário de Estado Adjunto do ministro da Saúde, Leal da Costa, disse nesta sexta-feira que o programa da troca de seringas com as farmácias, suspenso há mais de um ano, "é negociável", embora "dentro de alguns pressupostos". Foi a Associação Nacional de Farmácias (ANF) que decidiu deixá-lo.

À margem da inauguração oficial da Unidade de Cuidados Continuados Integrados de Longa Duração e Manutenção de Estoi, no Algarve, Leal da Costa afirmou que "teria gostado muito de ter renovado o acordo com a ANF". Nem contesta o facto de a associação dizer que "não twm condições económicas para poder fazer essa distribuição". Diz que esse argumento não foi usado na altura.

Leal da Costa sublinhou que não está em causa a entrega do valor da seringa, "pois é o Estado que o faz na totalidade", mas da possibilidade de as farmácias terem um contentor para recolha, cabendo depois ao Ministério da Saúde a remoção. O que está em causa nas farmácias, disse, são "os segundos ou minutos necessários para aceitar uma seringa e entregar outra". "Se a Associação Nacional de Farmácias considera que isto pode ser um peso excessivo em termos de trabalho desenvolvido para ser ressarcida por isso, não sou eu que vou discutir", comentou.

O contrato com a ANF para a troca de seringas terminou em Novembro de 2012. Desde então, o programa é assegurado pelos centros de saúde, pelos centros de respostas integradas e pelas equipas de rua.

"As farmácias estão disponíveis para negociar, mas no actual contexto económico não é possível continuar a ter este ou outro tipo de intervenções de forma gratuita", disse à Lusa Cristina Santos, responsável pelo departamento de serviços farmacêuticos da ANF.

O bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, defendeu a importância da reactivação do projecto. "É extraordinariamente importante para se reduzir a transmissão de doenças infecciosas também da hepatite C, prevenindo custos mais elevados para o Serviço Nacional de Saúde no futuro com a necessidade de tratamento desses doentes", disse à Lusa.