Florestas voltam a cartografar áreas ardidas após paragem de quatro anos

Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas contrata empresa para fazer mapa das áreas ardidas entre 2010 e 2013.

Sobre o dispositivo especial de combate a incêndios, a Liga diz que os bombeiros poderão não ter condições
Foto
Sobre o dispositivo especial de combate a incêndios, a Liga diz que os bombeiros poderão não ter condições Nelson Garrido

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) voltou a contratar a cartografia das áreas ardidas após um interregno de quatro anos. O organismo público contratou a empresa GMV, uma multinacional da área tecnológica, para esta produzir os mapas das áreas ardidas dos anos 2010, 2011, 2012 e 2013.

A informação permitirá ao instituto desenvolver ferramentas importantes para o planeamento e a prevenção dos fogos florestais, como a carta de risco de incêndio.

A contratação foi anunciada esta segunda-feira pela própria GMV, que esclarece que é a primeira vez que trabalhará para o ICNF. O projecto recorrerá a imagens dos satélites Landsat 5, Landsat 7 e Landsat 8. “Através das imagens de satélite serão delimitadas as cicatrizes de fogo em cada um dos anos de referência”, lê-se num comunicado emitido pela empresa.

A informação permitirá um conhecimento mais profundo do impacto dos incêndios dos últimos anos, sendo uma ferramenta relevante para a elaboração de mapas de risco, preparação de estratégias de combate a incêndios ou suporte ao planeamento ambiental.

José Miguel Cardoso Pereira, professor catedrático do Departamento de Engenharia Florestal do Instituto Superior de Agronomia, que elaborou a cartografia das áreas ardidas entre 1975 e 2009, mostra-se contente com o retomar deste trabalho, não deixando de criticar os termos em que se realizou esta contratação. “Assim poderemos recuperar a capacidade de fazer previsões de risco e avaliações de danos”, afirma o universitário.

Cardoso Pereira lamenta o interregno de quatro anos, em que, por falta de verbas, se deixou de fazer a cartografia da área ardida e que se tenha lançado um concurso já no último trimestre do ano que implicava que o trabalho fosse realizado até ao final de 2013. “Quatro anos de cartografia de áreas queimadas em tão pouco tempo não me permitira fazer a tarefa bem feita”, alega o catedrático, que optou por não concorrer a este procedimento concursal por convite. “São muitas imagens de satélite que precisam de ser tratadas para se conseguir um mapa coerente. Por outro lado, pelo menos num desses anos houve uma avaria nos satélites, apresentando as imagens problemas técnicos”, justifica Cardoso Pereira.

José Luís Freitas, responsável pelo Desenvolvimento de Negócio da GMV, explica que a empresa ganhou este contrato, porque das três entidades convidadas foi a que apresentou um preço mais baixo, mas não adianta o valor do negócio. E adianta que uma equipa de quatro pessoas já está a trabalhar no projecto, que deverá estar concluido até ao final do mês. “Este trabalho permitirá obter uma informação mais precisa sobre a localização e a dimensão das áreas ardidas. As imagens permitem cartografar a partir de uma área mínima de 900 m2”, refere José Luís Freitas. O responsável sublinha, por exemplo, que as imagens MODIS utilizadas pelo Sistema de Informação Europeu de Fogos Florestais não permitem cartografar incêndios com menos de 62.500 m2.

ANACOM coordena comunicações de emergência
Entretanto a Anacom - Autoridade Nacional de Comunicações anunciou esta segunda-feira que vai passar a coordenar as comunicações em situações de emergência como os fogos florestais, uma competência que herda da Autoridade Nacional de Protecção Civil. Em comunicado, a Anacom refere que organizará a resposta quer na fase de emergência quer na fase de reabilitação, onde “deverá apoiar tecnicamente, no âmbito das suas atribuições, os organismos e serviços responsáveis pela rede integrada de comunicações de emergência, e garantir a disponibilidade e eficiente utilização do espectro radioeléctrico”.