Patrões suíços contra proposta de limitação da imigração no país

Iniciativa proposta pela União Democrática do Centro “contra imigração em massa” irá a referendo a 9 de Fevereiro de 2014.

Em 2008 os suíços já tinham rejeitado uma proposta da UDC para limitar as naturalizações
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Em 2008 os suíços já tinham rejeitado uma proposta da UDC para limitar as naturalizações Fabrice Coffrin/(AFP

Doze organizações patronais uniram-se esta semana numa mobilização excepcional contra um projecto de lei que visa limitar a imigração no país. Os sectores da economia suíça condenam a iniciativa dos populistas de direita da União Democrática do Centro (UDC), intitulada “contra a imigração de massa”, considerando que "vai criar problemas sem apresentar soluções".

O texto, proposto pela UDC que pretende limitar a entrada de estrangeiros, fixando quotas para a atribuição de autorizações de residência para todos os estrangeiros, sem excepção, será submetido ao voto popular no próximo dia 9 de Fevereiro e, não contará com o apoio nem do Governo, nem dos restantes partidos.

Os representantes dos empresários alegam que este projecto teria graves consequências para a economia, principalmente no sector agrícola. Diversos sectores têm dificuldade em contratar funcionários, uma lacuna preenchida pela população imigrante.

“Nós devemos o nosso sucesso a um mercado de trabalho muito eficiente e crescente”, disse o presidente da União Patronal Suíça, Valentin Vogt.

Para os empresários, a aprovação da proposta também “colocaria em perigo” a política bilateral entre a União Europeia e o país que, recentemente aderiu ao acordo relativo à livre circulação de pessoas. Segundo os mesmos, a imigração é benéfica “para a economia suíça e para a sua população”.

Imigrantes oriundos da Europa
A UDC reagiu à iniciativa dos empresários, afirmando que os “funcionários da economia, cegos pelo seu próprio interesse, recusam-se a falar dos problemas sociais e económicos consequentes da chegada de 80 mil novos habitantes à Suíça a cada ano”.

Em comunicado, os conservadores realçam ainda que a UDC “não quer nem o fim da imigração, nem terminar com os acordos de livre-circulação” na Europa. Para aquele que é hoje o partido mais votado no país, “os suíços devem determinar quem pode entrar no país, e quando deve partir”.

De acordo com uma pesquisa realizada em Dezembro, o projecto da UDC deverá ser rejeitado pela maioria da população suíça, que frequentemente é chamada para se pronunciar em referendo sobre temas propostos pelo Governo, parlamentares ou partidos. O texto dos conservadores teria apenas 36% de apoio popular, o que, no contexto actual em que se observa em toda Europa crescentes políticas contra a imigração, mostra que na Suíça e, de forma excepcional, a situação é oposta.

A Suíça é um dos países europeus com maior número de estrangeiros: eles são 23% da população, num total de 1,9 milhão de pessoas. Entre 2012 e 2013, este número subiu 3,3%. A maior parte dos imigrantes é oriundo da própria Europa.