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Megafone

Dreamcast - O último sonho da Sega

Logo no lançamento estabeleceu um recorde de vendas. E tudo fazia crer que a Sega tinha ali um sistema vencedor

Uma das minhas consolas favoritas é sem dúvida a Sega Dreamcast (DC). Um sistema único que traduz quase tudo o que de genial a Sega trouxe ao mundo dos jogos.

Lançada entre nós europeus em Outubro de 1999, a DC foi uma consola impressionante. Logo no lançamento estabeleceu um recorde de vendas. E tudo fazia crer que a Sega tinha ali um sistema vencedor.

Aprendendo com os problemas da Saturn, 32X e Mega-CD, a nova consola ofereceu melhores condições aos produtores 3rd party, e uma série de periféricos que tornavam o sistema único. Além disso, provavelmente o destaque maior era a utilização dum modem interno permitindo navegar na Internet e desfrutar de jogos com características únicas (como os memoráveis Chu Chu Rocket e Phantasy Star Online).

Claro que nenhuma consola é suficientemente forte senão oferecer jogos compatíveis com as suas possibilidades, e isso a Dreamcast certamente os teve. Títulos como House of the Dead, Tomb Raider Chronicles, Skies of Arcadia, Shenmue, Jet Set Radio, Soul Calibur, Ready to Rumble, Sonic Adventure, Power Stone, Metropolis SR, são só alguns nomes que representaram o brilhantismo da consola em diversos géneros.

Infelizmente, poucos acreditaram no seu potencial. Produtoras como a EA ou a Codemasters estavam reticentes em suportar a Dreamcast e preferiram aguardar. A Sega tentou colmatar essas falhas desenvolvendo jogos que fizessem esquecer a falta de jogos como Fifa ou Toca Touring Car, oferecendo em alternativa SWWS 2000 ou Sega GT. Mas, apesar de serem excelentes jogos, não foram suficientes.

Havia igualmente muita expectativa perante a nova consola que a Sony ia lançar em 2000. Depois de ter dominado a quinta geração com a Playstation, a sua sucessora era muito aguardada.

Quando foi lançada a Playstation 2, apesar de ter poucos jogos no início, o facto de ser o leitor de DVD mais barato no mercado e oferecer retrocompatibilidade com a primeira Playstation fez com que a Dreamcast fosse posta de lado. Além disso, a Nintendo e a Microsoft estavam também quase a chegar, e a própria Sega estava a passar um período financeiro muito conturbador.

Em Janeiro de 2001, a Sega of Japan anunciou que ia descontinuar o sistema, retirando-se enquanto produtora de hardware, para se focar somente em jogos. Será que o pouco tempo da Dreamcast no mercado foi o suficiente para termos tido acesso ao verdadeiro potencial da consola? Nunca saberemos.

Apesar disto tudo, a DC deixou uma herança de jogos muito apelativos, e embora em 2001 mais de 50 títulos tenham sido cancelados (como os “ports” de Half-Life ou Commandos 2), algum suporte 3rd party ainda continuou até bem dentro de 2002.

Tal como muitos, aguardo ansiosamente pelo dia que a Sega volte, e que uma Dreamcast 2 seja novamente possível.