No Colorado, EUA, já é possível comprar legalmente marijuana

Estado norte-americano é o primeiro nos EUA a autorizar a venda de cannabis para fins recreativos.

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Jesse Phillips, o primeiro a comprar legalmente marijuana Reuters/Rick Wilking
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Dois norte-americanos exibem t-shirts com a inscrição "Eu quero erva" Reuters/Rick Wilking
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A loja Botana Care em Denver, que se hoje se estreou na venda de marijuana Reuters/Rick Wilking
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Algumas dos produtos à venda na Botana Care Reuters/Rick Wilking
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Longas filas de consumidores marcaram o dia na capital do Colorado Reuters/Rick Wilking

Dezenas de clientes esperaram ao frio, com neve, a abertura de portas de lojas em Denver, no estado norte-americano do Colorado, onde desde esta quarta-feira, primeiro dia de 2014, os maiores de 21 anos podem comprar legalmente cannabis.

"Queria ser um dos primeiros a comprar marijuana e a não ser processado por isso. Este fim da proibição chega com muito atraso”, disse Jesse Phillips, 32 anos, trabalhador de uma linha de montagem, o primeiro cliente no Botana Care de Northglenn, um subúrbio de Denver, citado pela Reuters. Jesse acampou no exterior do ponto de venda desde a 1h da manhã. A agência observou longas filas de clientes em pelo menos dois pontos de venda na cidade.

A venda legal de cannabis para fins recreativos é um facto inédito em território do Estados Unidos, onde tem sido privilegiada a proibição e a repressão dos consumidores e a luta a produtores e traficantes. Dentro de alguns meses, o exemplo será seguido no estado de Washington.

Atá agora era permitido legalmente o consumo de cannabis para fins médicos em 19 estados. Na maior parte deles, o consumo recrativo também não é considerado delito.

A legalização da cannabis, com possibilidade de compra de 28 gramas de cada vez e de consumo nos limites do território do estado, foi votada em Novembro de 2012.

Quer no Colorado quer no estado de Washington, o cultivo, a distribuição e o marketing de “erva” será supervisionado pelas autoridades locais.

A AFP noticiou que empresas estão a preparar visitas organizadas. “A novidade atrai pessoas de toda a parte”, explicou Adam Raleigh, de uma fornecedora de cannabis, a Telluride Bud Company. “Tenho pessoas que virão de carro do Texas, do Arizona e do Utah, apenas para fazer História.”

A legalização, que visa reduzir o espaço para o tráfico, deverá ter um impacto económico considerável. Estimativas oficiais do estado do Colorado divulgadas pela Reuters apontam para receitas brutas anuais de 578 milhões de dólares (mais de 420 milhões de euros), incluindo 67 milhões (48,7 milhões de euros) em taxas para os cofres públicos.

O principal grupo de pressão pela legalização da cannabis, o Marijuana Policy Project, saudou, num comunicado, “o fim da Proibição” — uma referência ao período de interdição oficial do álcool no país entre 1920 e 1933.

Em Outubro de 2013, pela primeira vez, uma sondagem do Instituto Gallup revelou que a maioria dos norte-americanos se mostra favorável à legalização da marijuana. Os opositores são maioritários apenas no seio da população mais idosa.Cerca de 58% dos inquiridos apoiam a legalização do consumo, enquanto 39% se opõem.  

Campanhas para que referendos sobre esta questão sejam realizados estão em curso em estados como a Califórnia, o Arizona, o Oregon e o Alasca.   

Há três semanas, o Uruguai tornou-se no primeiro país do mundo a legalizar a produção, distribuição e venda de cannabis. Quando a lei entrar em vigor, em Abril de 2014, os maiores de 18 anos poderão comprar um grama por um dólar (pouco mais de 70 cêntimos). O preço será ajustado ao valor praticado no mercado ilegal — o Governo espera, assim, reduzir os lucros dos traficantes.