É um pássaro… É um avião… Não, é um drone!

A autoridade reguladora da aviação americana autorizou o arranque de testes com vista ao uso privado e comercial de veículos aéreos não tripulados no território nacional.

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A autorização de drones privados no espaço aéreo dos EUA só deverá ser uma realidade em 2020 ou mais tarde REUTERS/Carlo Allegri

A contagem decrescente para o dia em que a visão de um drone nos céus americanos se vai tornar rotina começou oficialmente esta segunda-feira: a agência governamental que regula o espaço aéreo dos Estados Unidos anunciou a selecção de seis operadores para testarem o uso dos veículos aéreos não-tripulados e comandados à distância para fins comerciais.

Até agora, o uso mais popular (e infame) dos drones pelos Estados Unidos tem sido como arma no combate ao terrorismo no Médio Oriente e Norte de África. Mas o anúncio da Federal Aviation Administration (Administração Federal da Aviação) representa um importante passo para o futuro da circulação de drones no saturado espaço aéreo americano. O futuro, com dezenas de milhares de drones a voar os céus americanos, pode ser já em 2025, calculam os analistas da indústria de aviação.

As instituições, entre universidades e agências estaduais, que vão conduzir pesquisas relacionadas com segurança e questões logísticas irão trabalhar com a FAA para desenvolver regras e procedimentos destinados à utilização de drones a título privado no espaço aéreo nacional. A investigação tentará procurar respostas para uma variedade de problemas e preocupações. Como pode um drone detectar e evitar colisões com outros veículos aéreos? Como operar em segurança no caso de perder a ligação com o piloto? Como é que o controlo do tráfego aéreo terá de evoluir para lidar com drones? A pesquisa também vai procurar analisar o impacto ambiental destes novos veículos aéreos.  

As seis instituições foram seleccionadas num concurso público que mobilizou 25 candidaturas. São elas a Universidade do Alasca, o governo do Nevada, um aeroporto público 400 quilómetros a norte de Nova Iorque, o departamento de comércio do Dakota do Norte, a universidades Texas A&M e Virginia Tech. Entre outros factores que pesaram na escolha, a FAA considera que estas instituições estão estrategicamente localizadas, permitindo um vasto leque de experimentação em áreas geográficas, climas e espaços aéreos diferentes.

Este passo faz parte de um ambicioso roadmap que pretende responder à pressão da indústria e do Congresso americano, que instou a FAA a finalizar um plano que abra o espaço aéreo americano à utilização e circulação destes aparelhos voadores por privados até 2015. O interesse aumentou com o anúncio da Amazon, no início de Dezembro, de que espera fazer entregas de encomendas em meia hora usando drones a partir de 2015.

A FAA não se comprometeu com qualquer data quando anunciou a eleição dos seis operadores, que estão autorizados a conduzir as suas pesquisas até Fevereiro de 2017. Segundo o Wall Street Journal, a autorização de drones privados no espaço aéreo nacional só deverá ser uma realidade em 2020 ou mais tarde.

Actualmente, os drones são utilizados nos Estados Unidos para controlo e vigilância da fronteira, para investigação científica e ambiental, e como ferramenta de apoio a forças de segurança, em corredores ou espaços aéreos especificamente designados para esse fim. A legislação actual determina que os certificados de autorização para usar um aparelho aéreo não tripulado nos Estados Unidos devem ser avaliados caso a caso.