Portas escolhe um homem leal para a Administração Interna

João Almeida, 37 anos, deixará de ser o porta-voz do CDS no congresso do partido de 11 e 12 de Janeiro.

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Os três novos secretários de Estado na cerimónia da tomada de posse. Nuno Ferreira Santos

Deputado desde 2002 e porta-voz do CDS-PP, João Almeida é um homem muito próximo e leal a Paulo Portas. Foi o escolhido para substituir Filipe Lobo d'Ávila, o centrista que ocupava a secretaria de Estado da Administração Interna.

João Almeida veio da Juventude Popular que liderou durante vários anos e foi secretário-geral do CDS. Actualmente é membro da comissão executiva, o núcleo duro de Portas, e porta-voz do partido. O seu substituto nesse cargo só deverá ser conhecido no próximo Congresso do CDS, a 11 e 12 de Janeiro, altura em que haverá eleição de órgãos.

O líder do CDS quis dar experiência governativa ao porta-voz do partido, apesar de não ser um especialista na área que vai tutelar. João Almeida, 37 anos, é licenciado em Direito e frequenta o mestrado em Economia e Políticas Públicas. Foi consultor no escritório de advogados Prolegal. Quando Maria José Nogueira Pinto foi vereadora na Câmara Municipal de Lisboa, João Almeida foi o seu chefe de gabinete.

Na bancada parlamentar é vice-presidente e coordenador do grupo nas comissões de Orçamento e de inquérito ao BPN, além de vice-presidente da comissão de inquérito aos contratos swap.

João Almeida ganhou notoriedade ao verbalizar as críticas que Portas não podia fazer em público ao antigo ministro das Finanças Vítor Gaspar. Opôs-se ao “enorme aumento de impostos” anunciado por Gaspar para Orçamento do Estado para 2013 e apontou o dedo directamente ao ministro em reuniões da bancada sobre a política orçamental escolhida.

Na declaração de voto do Orçamento de Estado para 2013, o centrista afirmou que “não era um bom” Orçamento na declaração de voto, que mais tarde comunicou por via electrónica aos restantes deputados da bancadá, depois de ter sido articulada com o Presidente do partido.

Depois da crise política de Julho em que Portas subiu a vice-primeiro-ministro e Maria Luís Albuquerque substituiu Gaspar, o tom das críticas baixou. A opção do Governo reduzir a despesa pública em vez do aumentar a receita (com impostos) foi a justificação apresentada para a suavização do discurso. Certo é que na nova estrutura do Governo Paulo Portas ficou com o dossier das negociações com a troika e aumentou a sua quota parte de responsabilidade no desenho do Orçamento do Estado para 2014.