Opinião

O cheiro a homem

Uma das mentiras do mundo das fragrâncias é que as mais caras são as melhores. Não há relação alguma entre o preço e a qualidade.

O custo de produção das águas-de-colónia nunca é mais de 3 por cento do preço final: se um decilitro (100 mls, como anunciam solenemente nas embalagens) custa 100 euros, 97 euros vão para lucros, publicidade, distribuição e revenda. Um litro sai a mil euros mas só trinta pagam o perfume.

A melhor água-de-colónia masculina custa 12 euros: é a Old Spice, criada por Albert Hauck em 1938, para a Shulton Company. Hoje pertence à Proctor & Gamble que, para além da Vicks, da Gilette, da Oral-B, da Ariel, da Fairy, da Tide, da Duracell, da Febreze, da Dodot, da Pampers, da Tampax, da Max Factor, da Wella e da Vidal Sassoon, da Head & Shoulders, da CoverGirl, da Puma e da Olay, também cria e fabrica as fragrâncias da Escada, da Rochas, da Lacoste, da Hugo Boss, da Gucci e da Dolce & Gabbana, entre muitas outras.

O Old Spice (essa velha especiaria que começou com Vasco da Gama) já não é bem o que era - está mais leve e menos oriental - mas continua a ser delicioso e fundamental.

No Natal de 2013 precipitou uma crise de masculinidade. O Old Spice, antigamente, era o after-shave de quem não pensava nessas coisas. Hoje, pelos vistos, precisa de reafirmar, ridiculamente, essa masculinidade.

O cheiro continua bom mas a mensagem na caixa faz rir: "[The] manliest man gift set known to man".

Pois sim e ora bem e aetcera...