Ribeiro e Castro não vai ao congresso do CDS e critica Portas

Antigo líder do CDS diz que há um ambiente de perseguição no partido, com “controleiros internos”.

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Ribeiro e Castro ao PÚBLICO: “Sente-se um ambiente de controleiros internos impróprios de um partido democrático” Fernando Veludo/NFactos

“Este congresso foi organizado de forma processional como as procissões, com tempos muito marcados”, afirma o deputado, que faltará à reunião magna do CDS como forma de significar o seu distanciamento do partido. Mas garante que irá continuar a cumprir o seu mandato de deputado e o de autarca em Odemira, bem como empenhar-se nas causas que já assumiu como a da restauração do feriado do 1º de Dezembro.

“Tenho algum desencanto com a falta de institucionalismo do partido”, afirma Ribeiro e Castro, que já há algum tempo que critica o fraco debate interno no CDS. “A comissão política passa meses sem reunir e ouvi com surpresa dizer a um membro da direcção que é um órgão consultivo, e o Senado [órgão composto por históricos do CDS], que foi criado pelo Presidente do partido, não reúne”, aponta.

Referindo que houve levantamento de processos disciplinares a militantes a propósito das eleições autárquicas – tal como aconteceu no PSD — Ribeiro e Castro diz que há “perseguição” dentro do partido. “Sente-se um ambiente de controleiros internos impróprios de um partido democrático”, afirma. O deputado sublinha que o partido vive num “quadro de acentuado dirigismo” e que o facto de existirem três moções ao congresso subscritas por membros da direcção “é uma táctica de ocupação de palco”. Na análise que faz às moções globais, Ribeiro e Castro lembra que só o texto da Federação dos Trabalhadores Democratas-Cristãos aborda o problema dos idosos, o que lamenta.

O ex-presidente do CDS — que sucedeu a Paulo Portas em 2005 e que foi substituído novamente por Portas em 2007 — lança um forte ataque à estratégia política do actual líder de ter assumido “reservas” ao OE para 2013: “É como se 2013 não tivesse existido. Foi um erro colossal a preparação do Orçamento, depois a crise explodiu em Julho, o efeito colateral é a coligação para as Europeias”. “A direcção devia reconhecer que errou. Estaríamos melhor se houvesse coesão política no Governo”, disse, defendendo que a questão deveria ser debatida internamente. A forma como o partido funciona levou Ribeiro e Castro a demitir-se, no passado mês de Setembro, de presidente da comissão parlamentar de Educação.