Trabalho a tempo parcial levaria muitas famílias a pensar ter mais filhos

Seis em cada dez inquiridos num estudo da Associação de Famílias Numerosas mostrou-se favorável ao regime de trabalho a tempo parcial anunciado pelo Governo.

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O Governo pondera avançar em 2014 com um regime especial de trabalho a tempo parcial dirigido aos funcionários públicos Paulo Pimenta

Mais de metade dos inquiridos num estudo promovido pela Associação Portuguesa das Famílias Numerosas (APFN) admitiu que ponderaria ter mais filhos se pudesse trabalhar a tempo parcial, nos termos anunciados recentemente pelo Governo.

Seis em cada dez (61%) entrevistados neste estudo mostraram-se favoráveis ao trabalho a tempo parcial e, nas famílias com três ou mais filhos, a percentagem dos que admitem poder aderir a este regime aumenta substancialmente, para 88%, com 92% a assumir que concordam, no geral, com a medida.

Este estudo foi elaborado depois de o Governo ter anunciado, há dois meses, que pondera avançar em 2014 com um regime especial de trabalho a tempo parcial, permitindo aos funcionários públicos que trabalhem no mínimo menos duas horas por dia ou menos um dia por semana. Quem optar por este regime terá um corte salarial correspondente à redução do horário, mas, como forma de compensação, ficará isento das reduções remuneratórias aplicadas a todos os funcionários públicos.

“A realização deste estudo foi motivada pelo anúncio, pelo Governo, da intenção de instituir o trabalho a tempo parcial com compensação remuneratória, através de verbas comunitárias, e os resultados apontam para a ampla concordância da sociedade portuguesa em relação à medida”, acentua a Associação Portuguesa das Famílias Numerosas, em nota enviada à imprensa. 

Realizado pela Netsonda, o estudo — que incluiu 304 entrevistas de um painel online da empresa e 1031 entrevistas efectuadas a partir de uma base de dados da APFN — permitiu perceber que esta medida, além de poder funcionar como um incentivo à natalidade, é percepcionada como um meio para um melhor exercício da maternidade e para uma melhoria da qualidade de vida.

Uma percentagem substancial (63%) dos inquiridos acredita ainda que fará subir a produtividade, graças ao aumento dos níveis de motivação.

Mais de metade (52%) dos entrevistados que admitiram aderir a esta medida aceitariam mesmo uma redução salarial. As mulheres mostram-se mais disponíveis do que os homens para uma diminuição da remuneração e também se mostram mais favoráveis a esta medida.

Seja como for, os inquiridos defendem que devem ser acautelados alguns riscos inerentes à concretização deste regime, como o do despedimento (que é referido por 48%), a estagnação na carreira (36%) e a discriminação no trabalho (35%).

Para que a medida tenha sucesso, acrescenta a APFN, os inquiridos lembram que é necessário garantir que o benefício não possa ser utilizado para receber a compensação e, simultaneamente, trabalhar noutro local.

Em jeito de conclusão, a associação sublinha que “as famílias com mais filhos” valorizam mais as esperadas consequências da instituição deste regime “na melhoria do exercício da maternidade/paternidade e da qualidade de vida”, enquanto os inquiridos do painel da Netsonda destacam sobretudo “a possibilidade de ter mais filhos".