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Megafone

É quase isso: o que esperar de 2014

A política, a economia, o desporto e a cultura, em 2014. Não se trata de uma crónica de Pacheco Pereira, mas procura os mesmos níveis de credibilidade. E de presunção

No fim do ano, fazes uma de três coisas: balanços, resoluções para o ano seguinte ou nenhuma das duas. Vou seguir a terceira opção e adiantar alguns acontecimentos que espero, em 2014.

Pedro Passos Coelho e Paulo Portas vão entender-se. Vão passar um fim-de-semana fora e, quando voltarem, vão formar um partido. Pedro Passos Coelho vai ser o líder, mas Paulo Portas vai criar o cargo de “líder vezes infinito”, a partir do qual tomará as decisões de fundo.

António José Seguro chegará a líder do PS. António Costa começará a preparar a sua candidatura à liderança do partido, que ocorrerá em 2025.

O PCP vai, finalmente, falar com abertura sobre o Muro de Berlim e sobre a Coreia do Norte. No primeiro assunto, para dizer que “isto era apanhar o empreiteiro que usou um cimento tão rasca”; no segundo, para declarar-se contra as fardas do exército, “démodés e pouco comunas”.

O Bloco de Esquerda vai dar origem a 28 partidos de esquerda. Rui Tavares fará parte de 16. Os restantes serão apoiados por Francisco Louçã. Todos quererão a união da esquerda, a queda da direita e um blazer de bombazine.

Vamos ter um crescimento económico assinalável, devido ao bom desempenho das exportações. A malta que escreve nos blogues de apoio ao Governo vai sugerir uma ideia luminosa: exportar licenciados. O Ministério da Economia vai ordenar a clonagem de Cristiano Ronaldo e de Jorge Jesus, também para exportação.

Depois de 1589 assembleias, a ONU vai chegar à conclusão de que existe um problema na Síria. A Coreia do Norte vai cortar a Internet no país, não por autoritarismo, mas porque não vai ter dinheiro para pagar a conta. No Brasil, vão continuar os protestos: desta vez, os brasileiros vão criticar o salário de Luiz Felipe Scolari, que perderá a final do Mundial, por 1-0, frente à Grécia.

Paulo Bento vai chatear-se com vários jogadores da selecção, o que vai deixar Cristiano Ronaldo como o único seleccionável. Portugal vai ter de recorrer a 22 jogadores amadores, para complementar a convocatória. Esse facto não provocará grandes alterações na qualidade da equipa, uma vez que continuaremos a depender da inspiração de CR7.

Perto do fim do campeonato, o Sporting vai ao mercado, para trazer um matemático que prove a Leonardo Jardim que é possível ganhar o título; no Porto, Paulo Fonseca vai, finalmente, acertar na finalização: não das jogadas, mas do seu contrato; Jorge Jesus renovará com o Benfica, por mais dez anos, passando a estar entre as 15 pessoas mais bem pagas do planeta e podendo decidir, por decreto, quem será o presidente do clube.

Cristiano Ronaldo ganhará a Bola de Ouro, mas Messi ganhará um troféu criado por Blatter, chamado “Bola de Diamante para o melhor jogador do Mundo, de sempre, infinitos vezes milhões”. Tanto o português, como o argentino, continuarão sem saber quem é Frank Ribéry.

A saga (ou a pandemia) dos filmes de super-heróis vai prosseguir. Os autores vão abordar o tema de outra forma: e se os heróis vivessem problemas como os das pessoas normais? Hulk terá os primeiros ploblemas de reumatismo; o Homem-Aranha vai ter problemas com a teia e, pior, será gozado pelos vilões, que dirão frases apelativas como “Já não tens força na teia!”; o Super-Homem, praticamente indestrutível e possuidor de uma força incomensurável, enfrentará algo verdadeiramente limitador: um astronómico desarranjo intestinal.

O engenho de Batman irá salvar estes super-heróis. Com a ajuda de um Transformer, cujo papel o levará a ser o protagonista do “Velocidade Ainda Mais Furiosa do que Todas as Outras, capítulo 89”.

Snoop Dogg vai fazer um dueto com José Malhoa. O norte-americano vai ficar aprender o que é um baile de Verão e o que é “swag”. O português não vai aprender nada, porque já é “super cool”. O resultado será um José Malhoa igual, mas um Snoop mais azeiteiro.

Toda a gente já viu uma publicação no Facebook relacionada com um evento extraordinário que não acontecia há centenas de anos e cuja ocorrência será capaz de ordenar os astros e fazer com que nos saia o Euromilhões ou, melhor ainda, que a nossa televisão fique sem som, quando aparece a Júlia Pinheiro. No dia 1 de Janeiro de 2014, completar-se-á um ano desde que foi dia 1 de Janeiro de 2013. Já não acontecia há 854 anos. Assim, se no dia 1 de Janeiro deres nove voltas à tua casa ou ao teu prédio, carregares 499 vezes na tecla “F1” do teu computador e fizeres 82 flexões, poderás pedir três desejos.

Desejo a todos um 2014 que, em termos de espectacularidade, rivalize com as camisas do Tony Carreira ou com o penteado do Nuno Rogeiro.

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