Os cartazes italianos do filme 12 Anos Escravo eram demasiado brancos

A produtora do filme de Steve McQueen mandou retirar de circulação as imagens que faziam a promoção de 12 Anos Escravo: Michael Fassbender e Brad Pitt estavam em destaque num filme em que o protagonista é o britânico de origem nigeriana Chiwetel Ejiofor

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O cartaz original do filme e as imagens escolhidas para a promoção em Itália DR

Depois de Steven Spielberg, Tarantino e Lee Daniels, é a vez de o britânico Steve McQueen trazer para o debate público o tema da escravatura e das lutas raciais nos Estados Unidos. 12 Anos Escravo é uma experiência visceral como McQueen já nos habituou, mas tem sido objecto de consenso crítico. A polémica foi antes causada, por estes dias em Itália, pelos cartazes de promoção, que foram retirados de circulação. É que em vez de ser o protagonista, o britânico de origem nigeriana Chiwetel Ejiofor, a estar em destaque, a distribuidora italiana resolveu dar espaço maior a Brad Pitt e a Michael Fassbender, actores com papéis secundários Pitt tem mesmo apenas alguns minutos de filme. Rapidamente se multiplicaram as acusações de racismo.

A polémica estalou quando vários espectadores começaram a partilhar nas redes sociais diferentes fotos dos cartazes nos cinemas italianos, estranhando a ausência de Chiwetel Ejiofor, que aparece praticamente em todas as cenas e no cartaz é apenas figura menor a correr em contraluz. Ao contrário de, por exemplo, Pitt, que aparece simplesmente no final e tem todo o espaço no cartaz. Esta terça-feira a Summit Entertainment, filial da Lionsgate, distribuidora do filme, ordenou que todo o material de promoção  fosse retirado, explicando em comunicado não ter autorizado a utilização destes cartazes. Estes não foram aprovados por nenhum dos produtores do filme, sendo esta campanha de marketing inteiramente da responsabilidade da distribuidora italiana BIM, que não fez qualquer comentário à situação.

“A Summit, vendedora exclusiva do filme aos distribuidores, está a investigar [o incidente] e já tomou medidas para parar a distribuição de todos os cartazes não autorizados e fez retirar aqueles que já estavam expostos”, lê-se no comunicado, citado pela AFP.  

Apontado como um dos candidatos aos Óscares e nomeado em sete categorias para os Globos de Ouro, 12 Anos Escravo, a história de um homem livre negro que foi vendido como escravo no século XIX nos Estados Unidos, é protagonizada por Chiwetel Ejiofor. Tem conquistado a crítica que diz que nunca a escravatura foi tão representada assim no cinema. Muitos paralelismos têm  sido feitos em relação a Django Libertado, de Quentin Tarantino, na altura criticado pela extrema violência de algumas cenas e pelo distanciamento da realidade da escravatura nos Estados Unidos -  e por isso, supostamente contribuindo para uma história fantasiosa; em oposição, McQueen recentraria a História na sua verdade.

O próprio McQueen disse na altura em que o filme se destacou no Festival de Toronto, em Setembro, que o tema da escravatura "era algo que até aqui não tinha sido mesmo abordado com profundidade". Falou de “um buraco na história do cinema” que quis aprofundar, através desta história, que se baseia no livro de memórias de 1853 de Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor), o jovem negro nascido no estado de Nova Iorque que foi raptado, em 1841, para ser transformado em escravo numa plantação de algodão no estado de Louisiana, onde trabalhou durante 12 anos.

Em Itália foi este homem que foi menorizado para se dar destaque a Brad Pitt, que embora seja produtor executivo, interpreta uma personagem benévola que aparece somente no final, e Fassbender, que dá vida a Edwin Epps, o malfeitor dono de uma plantação. De fora do cartaz italiano ficaram também os restantes nomes do elenco, que inclui actores como Benedict Cumberbatch, Paul Giamatti, Paul Dano e Lupita Nyong’o. No cartaz original estes nomes estão presentes.

O filme tem estreia agendada em Portugal para 2 de Janeiro de 2014. com Tiago da Bernarda