Greve na Carris e TST com adesão elevada, dizem sindicatos

Paralisação na Carris em protesto contra o Orçamento do Estado para 2014 e cortes salariais. Trabalhadores da TST sentem-se "ignorados" pela empresa.

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Trabalhadores da Carris estão hoje em greve ao longo de todo o dia e voltam a parar a 31 de dezembro e a 1 de janeiro PÚBLICO

A Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans) fala de uma "grande adesão" na greve da Carris. A sul, o Sindicato Nacional dos Motoristas (SNM), que convocou a greve dos trabalhadores dos Transportes Sul do Tejo (TST), estimou em cerca de 75% a adesão dos motoristas à paralisação, nesta quarta-feira.

Manuel Leal, da Fectrans, não quis avançar números concretos da greve na Carris porque “essa guerra com o conselho de administração da Carris não adianta”, e disse que vai ainda ser ponderado com os órgãos representativos dos trabalhadores a eventual divulgação de percentagens de adesão à paralisação no final da greve. As carreiras estão,“de forma geral”, a funcionar apenas em serviços mínimos, avançou à Lusa.

Segundo o sindicalista, as paralisações nos autocarros de Lisboa ocorrem como protesto contra o Orçamento do Estado para 2014 e os cortes nos salários aos trabalhadores. Estes estão em greve ao longo de todo o dia e voltam a parar a 31 de Dezembro e a 1 de Janeiro.

Apesar de ainda se aguardar a definição dos serviços mínimos para o primeiro dia do ano de 2014, a Carris já informou que vão ser assegurados 50% das seguintes carreiras: 703, 708, 735, 736, 738 742, 751, 755, 758, 760, 767.

Apenas no dia 31 está ainda garantida metade do funcionamento das carreiras 781 e da rede da madrugada. A Lusa tentou contactar a Carris para saber quais os números da empresa relativos à adesão à greve, mas tal não foi possível.

Pressões a sul do Tejo
A sul do Tejo, o Sindicato Nacional dos Motoristas (SNM) estimou hoje em cerca de 75% a adesão dos motoristas à paralisação, "apesar das pressões" da empresa. "A percentagem [de adesão] é elevadíssima, apesar das pressões que têm existido por parte da empresa aos associados do SNM. A empresa está a obrigar os trabalhadores a ficarem em casa, a vedar-lhes o direito ao trabalho, alegadamente por estarem em descansos compensatórios", disse à Lusa Manuel Oliveira, do SNM.

"Isto é uma falácia, porque a empresa já deveria ter concedido estes créditos aos trabalhadores e não concedeu. A TST está a usar este tipo de artifício para tentar desmobilizar os trabalhadores da greve", disse.

O sindicalista explicou que, desde que o Código do Trabalho prevê a atribuição de um dia de descanso compensatório por cada 32 horas de trabalho extraordinário, essa norma nunca foi aplicada pela empresa aos trabalhadores, o que motivou um processo judicial do sindicato contra a TST.

Manuel Oliveira acrescentou que "esta imposição" de descanso compensatório na TST motivou um forte descontentamento entre os trabalhadores, que na terça-feira levou mesmo à concentração de cerca de 20 motoristas frente à sede da empresa, em protesto. "Não estiveram mais por causa da intempérie", afirmou o sindicalista.

Os motoristas da TST estão em greve esta quarta-feira e voltam a parar a 31 de Dezembro e 1 de Janeiro. A greve nos TST foi justificada pelo sindicato dos motoristas como a forma que os trabalhadores encontraram para se "manifestarem pelo facto de serem ignorados pela empresa". A Lusa contactou a TST, mas não foi possível obter qualquer reacção.