Crato diz que é "completamente incompreensível" a carta dos politécnicos a defender a sua demissão

Ministro da Educação recusa críticas dos institutos politécnicos que se dirigiram ao primeiro-ministro. E diz que espera que eles possam "cooperar construtivamente na melhoria da formação" dos professores.

Nuno Crato fala de "aproveitamento" das suas palavras
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Nuno Crato, ministro da Educação Miguel Manso

O Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) defendeu, numa carta dirigida ao primeiro-ministro, a demissão de Nuno Crato. O ministro da Educação e Ciência (MEC) reagiu neste sábado, ao fim da tarde. Em comunicado sustenta que aquela tomada de posição é "completamente incompreensível". E "lamenta que um órgão como o CCISP, parceiro da tutela na definição das políticas educativas para o Ensino Superior e constantemente auscultado, possa fazer um aproveitamento despropositado de uma conjecturável ambiguidade prontamente esclarecida".

Em causa estão ainda as declarações do ministro da Educação numa entrevista na quarta-feira, à RTP1. Crato afirmou que o sistema de formação de professores "tem várias falhas". E que "há professores licenciados por universidades e há professores licenciados por escolas superiores de educação que têm características diferentes e critérios de exigência muito diferentes".

O CCISP acusa Crato de ter um "preconceito ideológico marcado relativamente ao ensino superior politécnico".

Na quinta-feira o MEC emitiu um esclarecimento: "O ministério esclarece que o Sr. Ministro se referia ao conjunto do sistema de formação inicial de professores, que tem programas curriculares diversos, dizendo que há diferenças entre as diversas escolas de formação de professores, sejam universitárias sejam politécnicas, referindo ‘essas escolas’ no seu conjunto, e sem fazer juízos de qualidade que distinguissem escolas politécnicas por um lado e universitárias por outro."

E acrescentava: "É necessário um conjunto de medidas para assegurar que sejam os mais bem preparados a serem admitidos como professores dos nossos jovens."

Nesta sexta-feira à noite o CCISP divulgou uma carta a Passos Coelho onde defendia: "Não existem condições de confiança para o senhor ministro continuar a tutelar o ensino superior."

Os responsáveis dos politécnicos entendem que o "parco esclarecimento" de quinta-feira passa "ao lado de um incidente da máxima gravidade" porque o titular da pasta da Educação "colocou em causa, de modo explícito, e sem qualquer fundamento factual, a formação ministrada nas escolas superiores de educação". E acrescentam: "A postura assumida pelo ministro pode condicionar gravemente o futuro do desenvolvimento e da consolidação do sistema de ensino superior português."

Agora, o MEC, em comunicado, reage a essa posição. "Se dúvidas houvesse sobre o sentido e alcance das afirmações proferidas pelo Sr. MEC na quarta-feira à noite em entrevista ao Telejornal na RTP1, as mesmas ficaram imediatamente esclarecidas através da nota emitida na quinta-feira de manhã."

E continua: "A tomada de posição do CCISP é ainda mais injustificada tendo em conta que o sentido e alcance das declarações do Sr. MEC foram directamente esclarecidos junto daquele órgão, mal foram suscitadas dúvidas."

O comunicado lembra ainda que o programa do Governo é bastante claro em relação à importância que dá ao ensino superior politécnico. E cita algumas medidas previstas como "a manutenção do carácter binário do Ensino Superior em Portugal (Universitário e Politécnico)".

Melhor exemplo da importância do ensino superior politécnico, lê-se na resposta do Executivo, "é a articulação actualmente em curso entre o MEC e o CCISP para a criação de novas ofertas específicas, que irão permitir a este tipo de instituições ministrar cursos superiores de curta duração".

E remata: "Será importante que os Institutos Politécnicos possam cooperar construtivamente na melhoria da formação inicial de professores, objectivo de exigência em que se insere a actual revisão do diploma de habilitações para a docência e outras medidas em curso de que o ministério não abdica."
 
 

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