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Selfie à Obama: imprimir ou apagar?

Será Obama um allumeur dos tempos modernos? O que incendeia, mas não concretiza? Ou é Helle Thorning-Schmidt quem veste a pele de allumeuse das redes sociais?

O jogo de sedução é transversal à idade e ao género. Faz parte da sociedade. Atinge tanto as relações pessoais como as profissionais. E pode ficar-se pelos gestos e palavras. Ou mais que isso. Quem nunca seduziu que atire a primeira pedra. Atirou? Então está na hora de procurar um bom psicoterapeuta para o auxiliar nas dificuldades de relacionamento.

O fenómeno não é mais que o reflexo de estarmos vivos. Sentirmos o mundo. Encararmos de frente o(s) outro(s). Com sedução, a rede de relações fica mais simples. Mais colorida. Mais cúmplice. E até pode não significar traição. Quantos casos há cuja finalidade é apenas a de conquistar-se admiração e reconhecimento? Muitos, seguramente.

Porém, tudo parece mudar de figura quando a sedução toca um dos homens mais influentes do mundo. Quando envolve uma loira elegante e sedutora. E quando a mulher “oficial” assiste, de camarote, a todo o “jogo”. Um jogo que pode ter sido um tudo ou um nada. Dada a notoriedade dos protagonistas, pouco importa. Aqui, o enredo resulta numa teia complicada de relações e percepções. Numa versão chique e atual de “Dot the i” (Jogo de Sedução), de Matthew Parkhill.

Em boa verdade, quase todos gostamos de assistir ao acender da paixão. Mais ainda quando o flirt passa a linha do mediatismo. O famoso beijo protagonizado por Carmen e Kit nesse filme encontra, para alguns, paralelismo com o selfie de Helle. Se a linguagem corporal da primeira-ministra dinamarquesa faz história, o alegado amuo de Michelle Obama permite o colorido que a situação poderia não ter.

Será Obama um allumeur dos tempos modernos? O que incendeia, mas não concretiza? Ou é Helle Thorning-Schmidt quem veste a pele de allumeuse das redes sociais? Independentemente de quem incendiou o selfie mais mediático de sempre, é certo que todos fomos envolvidos. E o mundo clama agora por triângulos amorosos. Clichés românticos. Mesmo que a vida nos ensine outra realidade…

Muitos dos Obamas que por aí abundam, sobretudo sem Michelles presentes, avançam sem recúos. Criaturas astutas. De um simples selfie rapidamente atingem o toque. E do toque ao beijo é um instantinho. Sem darmos conta, já estão pendurados à porta de casa. Da nossa casa. Mesmo que na deles exista uma outra vida que nem sempre interessa revelar.

Já as Michelles têm o poder da decisão. As presentes, ou encaram com intrepidez o flirt ou fingem nem reparar, em nome do pai, dos filhos, do Espírito Santo... ou de outro banco qualquer. As ausentes – que o são em fartura – tem a grande vantagem de não amuar. Não fazer caras severas. Logo, evitam as rugas precoces. Não se perde tudo.

De postura confiante, as Helles divertem-se com a sedução. Não se deixam intimidar pelo alvoroço das investidas dos Obamas. Com perícia, conduzem o jogo da sedução. Avançam e recuam. Aceleram e travam. Tudo depende do Obama em questão. Do cenário. Do impulso gerado. Muitas são, inclusive, as Helles que amam o flirt, desde que nunca venha a concretizar-se.

Mas se o selfie acontecer, então restam pouco mais do que quatro enquadramentos de imagem. O feliz, possível mas raro nos dias que correm. O indiferente, em que as alminhas não querem nem voltam a ver-se. O suspenso, que promete (re)encontros. E o evitável, em que o encanto é quebrado e vira deceção. Como é melhor prevenir que remediar, é preferível focar melhor antes de disparar. Há fotos que mais vale apagar do que imprimir... 

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