Facebook analisou mensagens que utilizadores desistiram de publicar

Estudo conclui que os homens se autocensuram mais do que as mulheres.

O Facebook decidiu reforçar a presença nos telemóveis
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O Facebook decidiu reforçar a presença nos telemóveis Thomas Hodel/Reuters

Dois investigadores, um dos quais funcionário do Facebook, analisaram milhões de mensagens que os utilizadores não quiseram publicar depois de as escreverem. O estudo conclui que uma maioria já praticou o que chamam autocensura de última hora. Mas revela também que a rede social tem meios para escrutinar ao detalhe praticamente todo o tipo de actividades dos seus membros.

O estudo analisou dados de 3,9 milhões de utilizadores do site, identificados como sendo falantes de inglês, que foram recolhidos ao longo de 17 dias de 2012. Destes, 71% escreveram pelo menos uma mensagem (uma nova publicação ou um comentário numa publicação de alguém) que acabaram por decidir não publicar.

A análise do comportamento dos utilizadores indicou que as publicações são mais autocensuradas do que os comentários e que os homens tendem a autocensurar-se mais do que as mulheres. No que descrevem como uma conclusão surpreendente, os investigadores notaram ainda que isto acontece mesmo quando os homens têm mais amigos do sexo masculino. Estudos anteriores indicam que ambos os géneros têm tendência a ter mais cuidado na comunicação quando se estão a dirigir a elementos do sexo oposto.

De acordo com o estudo, as pessoas tendem a praticar mais autocensura em duas situações. Por um lado, quando a audiência é mais difícil de definir – por exemplo, quando se trata de uma mensagem pública (que pode ser vista por qualquer pessoa no Facebook) ou visível para toda a rede de amigos. Por outro, quando o contexto em que a mensagem seria publicada é muito específico (como um grupo temático) e é mais fácil surgirem dúvidas sobre a relevância daquele conteúdo.

A metodologia do estudo ilustra o nível de detalhe com que o Facebook consegue observar a actividade dos utilizadores. O estudo incidiu sobre pessoas residentes no Reino Unido e nos EUA. Foi conduzido por um analista de dados do Facebook chamado Adam Kramer e por um estudante de doutoramento da universidade de Carnegie Mellon, chamado Sauvik Das e que estava a fazer um estágio de Verão naquela empresa. Para serem incluídas na análise, as mensagens tinham de ter pelo menos cinco caracteres e não terem sido publicadas nos dez minutos seguintes à respectiva escrita. Os autores frisam que os dados foram recolhidos anonimamente e que o conteúdo das mensagens não foi analisado. Em relação às mensagens publicadas após mais de dez minutos, os autores argumentam que estas foram auto-censuradas, ainda que temporariamente.

“A autocensura de última hora tem um interesse particular para os serviços de redes sociais, já que este filtro pode ser tanto benéfico como prejudicial”, escreveram Das e Kramer. “Os utilizadores e a respectiva audiência podem não conseguir atingir um potencial valor social por não partilharem um determinado conteúdo, e os serviços de redes sociais perdem valor pela não geração do conteúdo”.