Oliveira de Monsaraz com 2450 anos é a segunda mais antiga de Portugal

Árvore datada com método desenvolvido por investigadores de Vila Real.

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As oliveiras perdem a parte interior do tronco à medida que envelhecem Paulo Pimenta/Arquivo

Uma oliveira na localidade alentejana de Monsaraz foi datada com 2450 anos, através de um método inovador desenvolvido por investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real.

Esta é a segunda árvore certificada mais antiga de Portugal, anunciou esta terça-feira a UTAD, em comunicado. A mais antiga árvore portuguesa conhecida é uma oliveira com 2850 anos e foi também certificada pela UTAD há dois anos, em Santa Iria de Azóia.

A oliveira de Monsaraz, cujo tronco precisa de sete homens para o abraçar, vai receber a “certidão de idade” num acto público que irá decorrer na quarta-feira, na aldeia localizada no concelho de Reguengos de Monsaraz.

O método de datação foi desenvolvido pela UTAD, em parceria com a Oliveiras Milenares, empresa no Vimieiro, perto de Arraiolos, que vende oliveiras ornamentais, e tem como mentores José Luís Louzada e Pacheco Marques, investigadores do Departamento de Ciências Florestais e Arquitectura Paisagista.

Esta metodologia consiste num cálculo, feito através de um modelo matemático que relaciona a idade com uma característica dendrométrica do tronco, como seja o seu raio, diâmetro ou perímetro. Recorre-se ainda o estudo de outras árvores, com características idênticas: de forma comparativa,como se fosse um puzzle, vai-se preenchendo com informações dessas árvores a parte interior do tronco que as oliveiras muito antigas já não têm, o que impede a datação por radiocarbono.

Este método não provoca a destruição da árvore, pois não obriga ao seu abate, nem provoca lesões que comprometam a sua sanidade.

Esta fórmula permite estimar a idade de qualquer árvore muito idosa, podendo ir até aos três mil anos, mesmo que ela tenha o seu interior oco.

A oliveira de Monsaraz faz parte de um conjunto de sete, inseridas nos espaços de uma unidade hoteleira local, que a UTAD acaba de certificar. A direcção do hotel pretende criar um percurso histórico dentro dos sete hectares que rodeiam a unidade e associar a idade das oliveiras a acontecimentos marcantes da história.