Passos critica despesismo dos últimos 20 anos

Primeiro-ministro avisou que o país terá que “trabalhar muito tempo para pagar dívidas acumuladas”. Sobre o IRC, disse esperar aproximação “sem equívocos” com o PS.

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Passos Coelho nFactos/Fernando Veludo

Pedro Passos Coelho, que vai hoje a várias empresas nos concelhos de Felgueiras e Amarante e almoça com empresários da região, discursava no final de uma visita à RICAP – Guilherme Silva Almeida & Filhos, uma empresa de calçado. Usando esta companhia como exemplo, o primeiro-ministro salientou que o Governo está disposto a apoiar os investimentos destinados a atrair mais negócio e a gerar mais riqueza, em especial aqueles que estejam relacionados com o mercado externo, o que significa uma “mudança de paradigma” em relação ao que vinha sendo feito nos últimos 20 anos.

As obras relacionadas com investimentos na “melhoria de infra-estruturas para escoar os bons produtos, para atrair melhores investimentos, para assegurar uma melhor transferência de tecnologia para as empresas, terão prioridade”, garantiu o chefe do Governo.

O banco de investimento, que irá fazer a “análise criteriosa dos investimentos”, canalizando parte significativa dos recursos para a melhoria da eficiência, terá, por isso, um papel fundamental para que o país possa “usar os recursos financeiros europeus melhor do que fez nos últimos 20 anos”. Esta instituição financeira de desenvolvimento, como lhe chamou o Governo, irá funcionar junto do Ministério da Economia e não das Finanças.

O primeiro-ministro realçou que se prevê “alguma retoma” do mercado interno em 2014, mas preferiu colocar ênfase na oportunidade que representam os mercados externos. Sobretudo aqueles que “crescem a 7%, 8% ou 10% ao ano e que precisam de produtos de qualidade como aqueles que são feitos em Portugal”. Como fez a RICAP, exemplificou, e as outras empresas nacionais que contribuíram para o aumento das exportações.

“Quando começámos o programa de assistência financeira, em 2011, tínhamos como expectativa atingir o equilíbrio externo da nossa economia a partir de 2016. Conseguimos fazê-lo em 2012, consolidar em 2013 e sabemos hoje que 2014 e os anos seguintes serão anos em que as nossas indústrias e serviços exportarão de uma forma significativa e sem paralelo na nossa história”, elogiou Passos Coelho.

Depois apontou o dedo. “Nós herdámos, em muitos municípios e em muitas regiões investimentos que custaram muito dinheiro e que não têm qualquer utilização, que não acrescentam valor nenhum”, criticou o primeiro-ministro. “Claro que nos teria feito muita falta usar esse dinheiro para as empresas que precisavam de crescer, de criar emprego e de conquistar novos mercados”, acrescentou.

“Vamos precisar de trabalhar durante muito tempo para pagar as dívidas que se acumularam durante muitos anos”, avisou Passos Coelho. “Só é possível fazê-lo apostando nos mercados externos, valorizando o papel dos bons empresários e dos bons trabalhadores que temos. Porque são esses que nos darão a promessa concretizada de criar ainda mais emprego e maior valor acrescentado para a nossa economia”, acrescentou.

“Desafio as associações empresariais, as câmaras municipais, as comunidades intermunicipais a apresentaram projectos numa lógica um pouco diferente daquela que foi feita no passado”, afirmou Passos Coelho. “Durante muitos anos sabíamos que havia dinheiro e depois andávamos à procura de projectos interessantes para o gastar. Agora nós queremos fazer ao contrário: queremos saber onde é que estão os bons projectos porque tenho a certeza que teremos dinheiro para os apoiar.”

IRC “sem equívocos” com o PS
Acerca da reforma do IRC, deixada em suspenso desde o debate quinzenal na passada sexta-feira, o primeiro-ministro diz esperar ainda uma aproximação, "sem equívocos", entre o Governo e o PS para chegar a acordo, no Parlamento. "Espero que não haja mais equívocos à volta das propostas que foram apresentadas e seja possível, no Parlamento, obter o apoio do PS para essa reforma", afirmou Pedro Passos Coelho citado pela Lusa.

O chefe do Governo sublinhou as diligências junto do PS para que a reforma "possa ser coroada de êxito", com "uma aproximação" às propostas das duas partes.

"Isso era importante no futuro para dar uma noção de estabilidade", disse, considerando que esta reforma não é apenas para durar este Governo. "É para durar para os próximos largos anos e isso será tanto mais credível quanto o principal partido da oposição se vincule aos objectivos desta reforma", acrescentou.

O primeiro-ministro observou que o Governo não pode obrigar "o PS a aceitar os princípios desta reforma". "Julgamos que é boa para o país, para atrair investimento e criar riqueza por via da retoma privada. Julgo que isso é sensível para o PS", concluiu.