Será a nova ministra da Defesa alemã a sucessora de Merkel?

Há duas visões muito diferentes sobre Ursula von der Leyen: a chanceler pode querer preparar uma sucessora ou afastar uma rival.

Von der Leyen e Merkel: são rivais, mas complementam-se
Foto
Von der Leyen e Merkel: são rivais, mas complementam-se Kai Pfaffenbach/Reuters

Ursula von der Leyen não é a política típica da CDU. Mãe de sete filhos, ginecologista, começou a sua carreira política apenas aos 42 anos – algo nada comum na Alemanha. Aos 55 anos, é uma das mais populares políticas do país. A imprensa divide-se sobre a surpreendente escolha de Von de Leyen para o Ministério da Defesa: estará Merkel a preparar uma sucessora ou a pô-la perante uma armadilha?

O Ministério garante atenção pública e um papel simpático como “mãe dos soldados” a Ursula von der Leyen – apesar de algumas reacções iniciais terem questionado a escolha de uma mulher para “comandar as tropas”.

Por outro lado, tem uma estrutura complexa, com 33 mil milhões de euros de orçamento, e apresenta uma série de desafios, não sendo o menor deles a presença de 3400 militares alemães de 3400 no Afeganistão (cuja retirada está prevista para 2014). Thomas de Maizière, também apresentado como um potencial sucessor, quase caiu em desgraça quando era ministro da Defesa (agora passou para o Interior) por causa de um projecto falhado de construção de drones de 660 milhões de euros.

A revista Der Spiegel tanto diz que Ursula von der Leyen é “finalmente a princesa herdeira” como sugere que o cargo da Defesa a deixa num “assento ejectável”.

Von Der Leyen tem, no entanto, fama de ser alguém que resolve problemas, diz a revista. “Até agora nunca teve de usar a palavra derrota.”

Uma das mais recentes vitórias foi, aliás, contra a própria Merkel. Enquanto ministra do Trabalho, Von der Leyen desafiou abertamente a chanceler, contrariando a sua opinião em relação às quotas para mulheres nos conselhos de administração das empresas. Venceu e, embora o combate tenha deixado marcas, conseguiu que, após ter rejeitado a pasta da Saúde, a chanceler a escolhesse para uma mais relevante.

Quando surgiu na ribalta política, enquanto ministra da Família, muitos não acreditaram na combinação demasiado perfeita da vida familiar de uma mãe de sete filhos com o trabalho exigente de ministra. Apesar de ter começado tarde, Von der Leyen é de uma família de políticos. O seu pai, Ernst Albrecht, era governador da Baixa Saxónia (no final dos anos 1970, quando estudava na London School of Economics de Londres, os serviços secretos alemães temiam que Von der Leyen pudesse ser um alvo para militantes da extrema-esquerda da Alemanha).

Em entrevistas, a ministra deu crédito a uma passagem pela Califórnia por lhe ter permitido ser mãe e trabalhar full time e não ser vista como uma má mãe, algo que ainda acontece na Alemanha, onde a maioria das mães trabalha a tempo parcial.

Em 2011, decidiu entrar na política e um ano mais tarde era ministra da Família no seu estado-federado, a Baixa Saxónia. Em 2005 foi escolhida por Merkel para o mesmo cargo a nível federal, e em pouco tempo tinha ganho grande relevância política.

Depois de chegar a ministra da Família, apoiou o aumento da rede de creches e licença parental para homens, desafiando os conservadores do partido - tal como Merkel, von der Leyen é da ala centrista da CDU.

Mas, ao contrário da chanceler, Von der Leyen é vista como alguém que tem posições e opiniões fortes e que não tem medo de correr riscos. Como escrevia a Spiegel sobre a relação entre as duas: “São rivais e, no entanto, complementam-se.”