Lagoa de Óbidos em risco de fechar ligação ao mar

Intervenção de há ano e meio custou 1,5 milhões de euros, mas não conseguiu resolver o problema.

"Aberta" criada há 18 meses tem vindo a deslocar-se para sul, por força das marés e do assoreamento
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"Aberta" criada há 18 meses tem vindo a deslocar-se para sul, por força das marés e do assoreamento DR

O canal de comunicação entre a Lagoa de Óbidos e o mar deverá fechar-se nas próximas horas, devido a um acentuado assoreamento provocado pelas últimas marés, tendência que já se tinha registado nos últimos dias.

Esta situação não acontecia desde 1995, quando a lagoa esteve três meses fechada, tendo então o Inag (Instituto da Água) recorrido a máquinas pesadas para reabrir o canal.

O previsível fecho da “aberta” acontece também um ano e meio depois de terem sido realizadas dragagens de emergência – no valor de 1,5 milhões – que fixaram a comunicação com o mar a meio do areal, na expectativa de que esta se mantivesse.

Só que bastaram menos de 18 meses para que a “aberta” se deslocasse progressivamente para sul, aumentando a extensão da praia da Foz do Arelho, a norte (concelho das Caldas da Rainha), e diminuindo a do Bom Sucesso, a sul (concelho de Óbidos). Os humores das marés, porém, não só moveram a “aberta” do local onde era suposto ter sido fixada, como também a estão agora a fechar.

Paulo Lemos, secretário de Estado do Ambiente – que, por coincidência, vive em frente à lagoa – disse ao PÚBLICO que já pediu à Agencia Portuguesa do Ambiente para estudar rapidamente uma intervenção de emergência, a ter lugar no início do ano, para reabrir o canal, a fim de que a lagoa possa ser oxigenada com a água do oceano. O governante disse que esta intervenção não colocará em causa a programação prevista para a dragagem daquele ecossistema, que terá uma primeira fase já em 2014 e outra, provavelmente, em 2015.

Conhecedor da lagoa, Paulo Lemos pôs em causa um estudo já existente que previa a construção de um muro guia no meio do areal para fixar a “aberta”. “Era um muro em betão com sete metros de altura destinado a evitar que a “aberta” se deslocasse para sul. Mas nada garantia que esta, mais tarde, não se movesse para norte, e ficaria depois aquele muro de sete metros no meio da praia”, disse.

O LNEC está agora a estudar uma intervenção menos agressiva para a paisagem e que sairá, também, mais barata dos que os 5,5 milhões previstos inicialmente para as dragagens mais construção do muro. O secretário de Estado diz que a obra já tem financiamento assegurado e deverá ser lançada no início do ano para ter início, também, em 2014.

Uma segunda intervenção visa dragar a lagoa a montante, junto aos braços do Bom Sucesso e da Barosa, que se encontram muito assoreados. Isso, porém, já depende de financiamento do próximo quadro comunitário de apoio.

Durante as obras de emergência que tiveram lugar em 2012 foram dragados 350 mil metros cúbicos de areia que foram depositados nas praias da Foz do Arelho e do Bom Sucesso, reforçando o seu cordão dunar. Trata-se de um volume equivalente a um prédio de dez andares e à área de um estádio de futebol.

Esperava-se que tanta areia “segurasse” as duas margens do canal de comunicação com o mar e evitasse que as marés vivas saltassem por cima da praia para a lagoa. Mas nada disso resultou, tal como ficou demonstrado nos últimos meses.

Paulo Lemos diz que não se conhece ainda muito bem a dinâmica das correntes, das marés e da deslocação das areias que estas provocam. Tudo isto, explicou, é muito casuístico e até caótico, pelo que não há modelos matemáticos perfeitos que possam prever com exactidão estes movimentos. E é precisamente por isso que se tem procurado evitar a construção de esporões ou muros no meio do areal.