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RAC: do mundo da remistura para os originais

Está nas bocas do mundo e passou recentemente por Portugal. O P3 esteve à conversa com André Allen Anjos, RAC para o mundo, sobre o seu primeiro EP. O que se segue?

A arte da remistura é, inegavelmente, perigosa: quem transforma originais corre sempre o risco de tornar mau o que era considerado bom ou de desvirtuar o conceito do artista primário.

André Allen Anjos — jovem português de 27 anos a viver em Portland (EUA) e mais conhecido por RAC —, optou por correr esse risco e depois de ter mais de 200 temas remisturados aventurou-se também nos originais. Na linha do indie pop electrónico, e distinguindo-se claramente do habitual “club mix”, acaba de lançar o EP “Don’t Talk To”, só de originais, mas o seu CV inclui "remixes" de temas de artistas como Two Door Cinema Club, Phoenix, Lana Del Rey ou Ra Ra Riot.

RAC — Remix Artist Collective — começou como um trabalho de várias pessoas mas, actualmente, é um projecto de André. “Deixou de fazer sentido ser um colectivo”, confessa André, explicando que a transição “um bocado estranha” para projecto a solo deu-se nos últimos dois anos e culminou com o lançamento de “Don’t Talk To”, EP com quatro faixas originais e que conta com a participação de artistas com quem o DJ português já tinha trabalhado no âmbito dos "remixes". “Já tinha gostado muito de trabalhar com eles e convidei-os.”

Um EP "to be continued"

Com uma preparação de três anos, o EP pretende ser uma antevisão do primeiro álbum de estúdio de RAC que deverá estar pronto no início do próximo ano. Foi um nascimento partilhado, explica André: "Escrevo as músicas e os cantores escrevem as letras.”

A abrir está o single “Let Go”, tema com uma forte batida house que conta com a participação de Kele, dos Bloc Party, e do duo nova-iorquino MNDR; “Hollywood” é a segunda e viciante faixa que conta com a participação da banda de electropop Penguin Prision; já "Tourist", num estilo mais balada indie que batida electro, distancia-se das outras faixas, mantendo a qualidade, e é cantada por David Monks dos Tokyo Police Club; por último, a fechar o EP está a música “We Belong”, marcada pelo som do piano e pela sedutora voz de Katie Herzig.

São pouco mais de 17 minutos de música mas já são os suficientes para prender o público: a “live tour” que o artista fez pelo norte dos EUA durante o mês de Novembro ficou completamente esgotada para agradável surpresa de André: “Sou DJ há quatro anos e não sabia o que esperar.” Com o mesmo sucesso, transformou o Ateneu Comercial de Lisboa numa discoteca, quando passou pelo Vodafone Mexefest.

Foi, confessa, uma experiência “incrível” actuar como banda e não só como DJ. Em criança, aprendeu a tocar piano e guitarra, por isso estar em palco a tocar um instrumento é algo lhe sabe especialmente bem. 

André ficou feliz com a reacção do público a um trabalho diferente do que tem vindo a desenvolver nos últimos tempos mas não quer, de todo, abandonar a arte do "remix". Sobre as bandas que ainda lhe faltam remisturar, o DJ aponta, a título de exemplo, Arcade Fire e Hot Chip. E David Guetta? Uma pergunta, em tom de provocação, a que André, entre risos, responde — "provavelmente não". 

Com a promessa de que “Don’t Talk To” terá continuação como álbum de estúdio (e daí, explica, o título do EP ser uma frase inacabada), aguardam-se surpresas no próximo ano.