BdP reafirma que candidaturas não reuniam os atributos necessários ao cargo de director de Estudos

Novo comunicado do Banco de Portugal na sequência de notícias que responsabilizam Carlos Costa pela suspensão do concurso.

Carlos Costa alegou impedimentos legais para não cortar subsídios este ano
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Carlos Costa, Governador do Banco de Portugal. Jorge Miguel Gonçalves/NFACTOS

O Banco de Portugal (BdP) garantiu esta quinta-feira que a suspensão do processo de escolha de um director para o Departamento de Estudos Económicos se ficou a dever ao facto de nenhuma das candidaturas reunir “a combinação de atributos necessária (…)” para o cargo.

Em comunicado, o BdP refere que “após ponderação do relatório do painel de selecção, o Conselho de Administração entendeu que, não obstante os méritos individuais dos candidatos propostos, nenhum reunia a combinação de atributos necessária para assegurar o padrão de liderança e de gestão de equipas que garantisse a prossecução de um mais ambicioso posicionamento estratégico do departamento nos planos analítico e institucional, tendo, por isso, decidido encerrar o processo de recrutamento”.

O esclarecimento do supervisor surge na sequência de notícias, designadamente da TSF, que dão conta de que a suspensão se ficou a dever ao facto do processo de selecção ter dado “um resultado que Carlos Costa [Governador do Banco de Portugal] ter considerado inaceitável”.

A TSF refere ainda que “o candidato melhor colocado era o actual director-adjunto do departamento, Mário Centeno, alguém a quem o governador não queria, de todo, entregar o papel de ‘economista-chefe’ do BdP”. A rádio refere ainda que “o processo foi mal gerido, foi travado pelo próprio governador, e as fontes contactadas pela TSF temem prejuízos para a credibilidade do Banco de Portugal”.

No comunicado, é referido que “o Conselho de Administração do BdP entendeu lançar um convite público à apresentação de candidaturas para preenchimento do lugar de Director do Departamento de Estudos Económicos, para o qual estabeleceu diversos requisitos e de que resultou um conjunto de candidatos internos e externos”.

“A apreciação das candidaturas coube a um painel de selecção independente, constituído por cinco elementos (presidente, três membros externos e um membro interno), encarregado de apresentar uma lista restrita e não ordenada de candidatos para apreciação pelo Conselho de Administração”, lê-se no comunicado.

O comunicado termina com a declaração de que foi após a ponderação do relatório do painel de selecção que foi decidido encerrar o processo de recrutamento.

O anúncio da suspensão do concurso foi feito a 29 de Novembro e justificava-se pelo facto das candidaturas não reunirem "todos os requisitos exigidos para o desempenho da função”, adiantou, na altura, o BdP em comunicado.

Nesse comunicado, o supervisor referia ainda que “como estava previsto e é prática nos bancos centrais do Eurosistema, o Banco de Portugal nomeou uma comissão para produzir um conjunto de recomendações sobre o reposicionamento estratégico e a missão do Departamento de Estudos Económicos, em função dos objectivos do Banco neste domínio” a presidir pelo ex-ministro das Finanças, Vítor Gaspar.