Pedro Soenen
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Pedro Soenen

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Expresso do Oriente: um roteiro pelos restaurantes de Lisboa

Em Lisboa podemos comer em restaurantes chineses clandestinos — entramos por uma casa particular e sentamo-nos num espaço que poderá ser o quarto daquela família

O Oriente parece estar mais próximo de nós do que nunca, agora que até grandes empresas nacionais têm capital vindo de longe. Proliferam as lojas que de tudo vendem e que nunca fecham, frutarias, lojas de conveniência e restaurantes de nacionalidades longínquas que aliam a acessibilidade a uma gastronomia tão exótica como encantadora.

Em Lisboa podemos comer em restaurantes chineses clandestinos — entramos por uma casa particular adentro e sentamo-nos num espaço que poderá ser o quarto daquela família. Durante a hora de expediente, todas as assoalhadas são o restaurante. A comida parece mais genuína e é mais barata, mas as condições típicas de um restaurante praticamente não existem. E por isso, crianças não são de todo o "target" desejado. Ainda assim, podemos encontrar restaurantes de comida chinesa genuína em que a maioria dos clientes é chinesa. Tomemos o Grande Palácio Hong-Kong como exemplo: uma vasta ementa de pratos pouco habituais, felizmente com imagens ilustrativas que deixam ser os olhos os primeiros a comer. O espaço não é muito "baby-friendly", está sempre cheio, mas a comida é deliciosa e a relação qualidade/preço é bastante aceitável.

No entanto, quem não quiser correr riscos a comer algo demasiado estranho, pode optar pelo típico restaurante chinês, com os seus crepes e arroz xau-xau. A Guadalupe tem o seu de eleição, o Huang He. Ainda dentro da minha barriga já era uma cliente assídua! Hoje ocupa uma cadeira de criança e partilha comigo o Pato à Pequim enquanto se diverte com as ervilhas do arroz. Apesar de uma sala ampla, o WC não tem fraldário, embora a simpatia seja tanta que lhes perdoamos.

Menu infantil

Mas não só da China é constituído o Oriente e os paladares mudam quando vamos até Alcântara e entramos pela estreita porta do Nepal Maya. O restaurante é muito familiar, com um ambiente acolhedor e preços razoáveis — e apesar de ser pequeno conseguimos sempre um cantinho para o carrinho da Lupe. Na ementa encontramos sabores indicados para os mais pequenos, como deliciosos peitos de frango, acompanhados de arroz basmati. Para os adeptos de sangria, aqui é boa e docinha e acima de tudo... muito, muito em conta. O serviço é eficaz e rápido e a Lupe adora as cores quentes das paredes. O asseio do WC é de referir mas falta-lhe o fraldário.

Para quem prefere o sabor do caril e afins, pode sempre deliciar-se no restaurante indiano Natraj, na Baixa. Comida com muitas especiarias pode ser devidamente saboreada por nós, mas para os mais pequenos é pouco aconselhável, e por isso existe um útil menu infantil. Imagine-se só um prato com mais de 20 temperos! A minha perdição recai sobre a sobremesa goesa "bebinca", um bolo de nove deliciosas camadas. Calorias directas para as ancas da mamã! A Guadalupe vai já experimentando todos estes sabores orientais com grande curiosidade e em todos os restaurantes se deliciou. Se os portugueses tiveram no passado um papel importante na cultura oriental, agora é tempo de nos deixarmos invadir pelas suas influências, aproveitando-as da melhor forma.