Washington e Londres suspendem ajuda a rebeldes sírios

Material dado pelos norte-americanos e britânicos pode ter caído em mãos de combatentes islamistas.

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O conflito na Síria está a ter cada vez mais influência de combantes islamistas Zac Baillie/AFP

A ajuda humanitária não deverá ser afectada pela decisão, anunciada esta quarta-feira, mas Washington e Londres não querem correr o risco de o material que dão no âmbito da “ajuda não-letal” aos rebeldes sírios acabar por ficar em poder dos islamistas que também combatem o regime de Bashar al-Assad.

Como comenta o correspondente da BBC em Istambul, James Reynolds, EUA e Reino Unido têm agora um problema: “Como podem apoiar a oposição moderada síria sem também apoiarem, de modo indirecto, a cada vez mais poderosa oposição islamista?”

Segundo um porta-voz da Embaixada dos EUA em Ancara, foi a tomada de bases rebeldes perto da fronteira com a Turquia, na semana passada, por uma nova aliança de grupos islamistas, que levou à decisão.

Material dado no âmbito desta “ajuda não-letal” – veículos, equipamento de comunicação, óculos de visão nocturna, por exemplo – estava guardado em armazéns que foram tomados por uma nova frente de grupos islamistas, que com uns estimados 45 mil combatentes se deverá tornar a maior aliança no conflito. O conflito tem sido marcado não só por combates entre opositores e defensores do regime de Bashar al-Assad, mas cada vez mais por lutas entre grupos da oposição, sobretudo entre o mais antigo Exército Livre e os islamistas estrangeiros.

O Exército Livre reagiu dizendo que a decisão norte-americana e britânica foi “apressada”. “Esperamos que os nossos amigos repensem e esperem uns poucos dias para se tornar mais claro”, disse um porta-voz, Louay Meqdad.

A suspensão é um problema para os combatentes do Exército Livre, que precisam de apoio internacional para reforçar a sua credibilidade e impedir que os seus combatentes se juntem aos islamistas, alguns apoiados pela Al-Qaeda, que se estão a tornar cada vez mais poderosos.

Um porta-voz do Ministério britânico dos Negócios Estrangeiros disse à emissora britânica BBC que a suspensão era temporária e “dependia de uma investigação”. Este ano, Londres deu mais de 20 milhões de libras (mais de 23 milhões de euros) em equipamento. “Não temos planos de enviar mais [material] enquanto a situação não se esclarecer”, concluiu o porta-voz.