Vestígios de praia do período Jurássico encontrados em Porto de Mós

Perto de 60 fósseis de ouriços e estrelas-do-mar, entre outros elementos marinhos, estão preservados numa antiga pedreira na serra de Aire e Candeeiros.

Fósseis estão perfeitamente preservados in situ
Fósseis estão perfeitamente preservados in situ DR
Área com cerca de dois mil metros quadrados corresponde ao fundo marinho da praia jurássica
Área com cerca de dois mil metros quadrados corresponde ao fundo marinho da praia jurássica DR
Entre os fósseis encontrados estão ouriços-do-mar
Entre os fósseis encontrados estão ouriços-do-mar DR
Fotogaleria

Uma pedreira desactivada há vários anos no concelho de Porto de Mós, distrito de Leiria, esconde vestígios de uma praia com cerca de 170 milhões de anos. Em pleno Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, foram encontrados perto de 60 fósseis de equinodermes como ouriços, estrelas e lírios-do-mar, bem como do rasto de ondas e de animais marinhos.

Os fósseis estão conservados numa zona de maciço calcário na Pedreira da Ladeira, na freguesia de São Bento, antigamente explorada para a extracção de laje. É uma área de dois mil metros quadrados, que corresponde ao fundo marinho, datado do período Jurássico.

Depois de uma primeira observação feita pelos técnicos do parque natural e do Laboratório Nacional de Energia e Geologia, os vestígios estão a ser analisados por um especialista da Universidade de Bristol, em Inglaterra, e pelo arqueólogo e geólogo António José Teixeira.

A zona da pedreira terá sido, durante o Jurássico, “uma planura litoral, pejada de zonas inundadas por lençóis de água com um a dois metros de espessura”, explica o também deputado do PS na Câmara de Porto de Mós.

“É um local muito importante ao nível paleontológico”, garante o investigador, explicando que é “muito raro” encontrar fósseis de equinodermes com elementos do esqueleto preservados in situ. Entre os achados está um sulco com 13 metros, que corresponde ao rasto de um animal marinho ainda não identificado, marcado na rocha “como uma fotografia tirada há 166 milhões anos”, explica.

“Passeavam-se nestas margens de um mar jurássico tropical a subtropical, dinossauros, como aqueles que têm sido encontrados no concelho de Porto de Mós e até aquele que foi identificado no concelho da Batalha, que vem provar que a Europa ainda se encontrava ligada ao continente norte-americano”, afirma o arqueólogo.

António José Teixeira apresentou no final de Novembro uma recomendação na Assembleia Municipal, aprovada por unanimidade, com vista à classificação do sítio. “O presidente da Câmara de Porto de Mós quer criar um geoparque no concelho e este local é a cereja no topo do bolo, a alavanca potenciadora do geoturismo na região”, considera.