Banco de Portugal prevê criação de 22 mil empregos no próximo ano

Destruição de empregos registada desde 2011 reflecte dificuldade de reafectação de trabalhadores desempregados em alguns sectores, como a construção, diz o banco central.

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Dos 838,6 mil desempregados contabilizados pelo INE no terceiro trimestre, 540,3 mil eram de longa duração Nuno Alexandre Mendes

Depois da destruição acentuada do emprego e do aumento galopante do desemprego nos últimos anos, Portugal deverá registar criação de postos de trabalho nos próximos dois anos, prevê o Banco de Portugal, que se mostra, neste campo, mais optimista do que o Governo e a troika.

Assumindo uma variação positiva de 0,5% em 2014, referida pelo banco central, isso significaria um aumento de 22,7 mil postos de trabalho, partindo dos últimos dados do INE sobre a população empregada (4553,6 mil pessoas no terceiro trimestre).

Pelo contrário, nas previsões sobre o mercado de trabalho que divulgou com a proposta de Orçamento do Estado para 2014, o Governo aponta para uma destruição do emprego de 0,4% no próximo ano, prevendo ainda um aumento da taxa de desemprego para 17,7% da população activa.

No comunicado que acompanha o boletim com as previsões económicas para a economia portuguesa, onde prevê uma recuperação progressiva da actividade económica, a entidade liderada por Carlos Costa nota que as “as projecções para o emprego apontam para um ligeiro crescimento em 2014-2015”. Essa projecção não chega para compensar a destruição de empregos no período de 2011 a 2015, mas apenas para a atenuar: neste período, “o emprego deverá apresentar uma queda acumulada superior à da actividade, com uma redução significativa do emprego público, mas também extensiva ao sector privado”.

Segundo o banco central, esta projecção “inclui algum aumento dos salários do sector privado” e, ao mesmo tempo, dos custos unitários do trabalho no sector privado em 2014 e 2015.

Em relação à evolução do mercado de trabalho em 2013, ano para o qual o Governo aponta para uma diminuição de 3,9% na população empregada, o banco central diz que à queda do emprego no sector privado deverá seguir-se “uma recuperação moderada, aproximadamente em linha com a evolução projectada para a actividade”.

A destruição de postos de trabalho que se regista desde 2011, enquadra o Banco de Portugal, “reflecte alguma dificuldade na reafectação sectorial dos trabalhadores desempregados, contribuindo para limitar os ganhos de emprego”.

É o caso da “elevada redução do emprego em sectores intensivos em trabalho e associados a níveis de qualificação mais baixos da mão-de-obra, como a construção”. Ao mesmo tempo em que se regista um aumento do desemprego de longa duração — dos 838,6 mil desempregados contabilizados pelo INE no terceiro trimestre, 540,3 mil estavam fora do mercado de trabalho há 12 meses ou mais tempo –, tem ocorrido um “aumento do número de desencorajados e com uma redução da população activa”, o que por sua vez reflecte “o comportamento dos fluxos migratórios”.

No terceiro trimestre, a população activa residente diminuiu 2,4% em relação ao mesmo período do ano passado, baixando para 5392,2 mil pessoas. Isto ao mesmo tempo em que a população inactiva chegou aos 5100,8 mil, aumentando 0,6% face ao terceiro trimestre do ano anterior, tendo sido os homens e pessoas com 45 e mais anos os grupos que mais contribuíram para este aumento.