PCP e BE recordam que o Governo de Cavaco votou contra a libertação de Mandela em 1987

Parlamento aprova por unanimidade voto de pesar e Governo decreta três dias de luto pela morte do histórico líder sul-africano. Presidência da República esclarece votação de Portugal em 1987.

Depois do debate da moção de censura no Parlamento, na quinta-feira, a cúpula do CDS insiste que é preciso cortar despesa do Estado
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Depois do debate da moção de censura no Parlamento, na quinta-feira, a cúpula do CDS insiste que é preciso cortar despesa do Estado Nuno Ferreira Santos

O PCP e o BE recordaram esta sexta-feira, no Parlamento, que o Governo português liderado por Cavaco Silva votou contra a libertação incondicional de Nelson Mandela em 1987 nas Nações Unidas.

Já esta sexta-feira, o Palácio de Belém esclareceu que Portugal, em 1987, votou na Assembleia Geral das Nações Unidas contra a resistência armada por entender que poderia ser um incentivo à violência. Mas também que no mesmo dia, Portugal votou a favor da libertação de Nelson Mandela.  

"Em 1987, quando as Nações Unidas aprovaram um voto a favor da libertação incondicional de Nelson Mandela, teve três votos contra: Estados Unidos de Ronald Reagan, Reino Unido de Margaret Tatcher e Portugal de Cavaco Silva", afirmou António Filipe, do PCP.

A deputada bloquista Helena Pinto partilhou a mesma memória, dizendo que "em 1987 Portugal esteve do lado errado" porque "votou contra a libertação" do activista sul-africano.

Já Mandela, exaltou Alberto Martins, líder da bancada do PS, interessou-se pela causa de Timor-Leste - "como sempre estava do lado certo da História". "Um herói cívico e universal que em si sintetiza o melhor da liberdade", afirmou o socialista.

Nas bancadas mais à direita, António Rodrigues, do PSD, recordou Mandela como um homem que "fez democracia, fez país e fez humanidade". João Almeida, do CDS, sustentou que o antigo Presidente sul-africano é "um exemplo de liberdade e de esperança" e que a sua prisão "foi libertando gerações".

A homenagem do Parlamento - que aprovou por unanimidade um voto de pesar pelo desaparecimento do líder histórico sul-africano, começou com uma intervenção de Assunção Esteves, presidente da Assembleia da República, que disse sentir um "arrepio de tristeza" perante a "capacidade imensa que um homem tem para transformar o mundo".

Assunção Esteves lembrou que a comunidade internacional "foi capaz de conviver com a prisão de Mandela durante tanto tempo", mas que a mensagem que é deixada pelo activista é que "toda a injustiça é sempre a prazo porque é contra a razão".  

O Governo português decretou três dias de luto nacional pela morte de Nelson Mandela. Ao mesmo tempo, o líder sul-africano recebeu elogios de todas as bancadas parlamentares e do ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, que se associou ao voto no plenário.

Na homenagem prestada no plenário ao activista dos direitos humanos, o ministro dos Negócios Estrangeiros anunciou um luto de três dias pela morte de Mandela, depois de lembrar o sacrifício que o líder sul-africano fez pela liberdade. "Mandela conseguiu através do seu exemplo mudar o seu país, tornando-o democrático. É perante a memória desse homem que nos curvamos", afirmou o ministro.

Questionado sobre as críticas de PCP e BE à votação de Portugal em 1987 nas Nações Unidas, que votou contra uma resolução sobre o apartheid e a libertação de Mandela, o ministro respondeu: “Penso que nesse caso não estava em causa a figura de Mandela, haveria razões de Estado que neste momento não posso precisar. (…) Não sei dizer quais as razões que presidiram a esse voto “, disse.

  
 
 
 
 

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