O “equipamento perfeito” da Nike para o Brasil é reciclado

Um equipamento tecnológico e reciclado — são necessárias em média 18 garrafas de plástico para conceber um

A selecção brasileira é, quase por direito natural, uma das favoritas para vencer o Mundial de Futebol de 2014. Pelo histórico de palmarés, porque joga em casa e, a acreditar no que se diz, por causa do novo equipamento, que promete mundos, fundos e, possivelmente, não ficar em segundo.

Mais a sério. Apresentado na semana passada pela Nike, o novo equipamento da selecção brasileira é fabricado a partir de garrafas de plástico recicladas. Para além da camisola e dos calções, também as meias são, pela primeira vez, de poliéster reciclado. E pela primeira vez num equipamento de uma selecção, garante a empresa em comunicado. Cada um, necessita em média de 18 garrafas para ser concebido; já lá vão, diz a Nike, cerca de dois mil milhões de garrafas retiradas de aterros desde 2010.

Para o "equipamento perfeito", os designers usaram imagens tridimensionais do corpo de todos os jogadores, com direito a raio-X e coisas que tais. Tudo para potenciar a adaptação e o conforto. As meias foram um dos focos de atenção dos designers. Chamam-se Nike Elite Match Fit e prometem "conforto e protecção" para o dedo grande e tornozelo, bem como para o arco do pé.

PÚBLICO -
Foto
Os designers da Nike usaram imagens tridimensionais do corpo de todos os jogadores DR

É quase impossível ver o vídeo e não querer entrar naquela camisola. Culpa do 3D, claro, e não só. A malha "burnout" e os buraquinhos perfurados a laser, em combinação com a tecnologia Nike Dri-FIT e o tecido dual-knit (com algodão e poliéster reciclado), asseguram refrigeração onde os jogadores mais necessitam. "Ao manter o corpo mais fresco durante mais tempo, os jogadores sentem-se mais confortáveis, suam menos e têm um melhor desempenho em campo", afiança, em comunicado, Martin Lotti, director criativo da Nike Football.

PÚBLICO -
Foto
A camisola é como a bandeira nacional, diz o director criativo da Nike DR

Fabricada inteiramente no Brasil, a "amarelinha" está diferente, não só a nível funcional, mas também esteticamente. "Quisemos criar uma fusão entre a trepidante velocidade do futebol e a cultura do Brasil, ao mesmo tempo que nos mantivemos fiéis àquilo que o equipamento representa", diz Lotti, para quem a camisola "é como a bandeira nacional". O colarinho é comodamente em Y, o emblema da Confederação Brasileira de Futebol está maior, é rodeado por bordado metálico dourado e esconde, no interior, uma frase: "Nascido para jogar futebol". A arte de rua brasileira ditou a inspiração para o tipo de letra para a inscrição do nome e número dos jogadores. O designer brasileiro Bruno Big, por seu turno, foi convidado para desenhar um típico símbolo nacional: um pequeno canário amarelo, na parte de trás do pescoço, representa a "Canarinha".