Na leitura e em ciências Portugal desce alguns lugares no PISA

Ano após ano, Portugal melhora o seu desempenho em Leitura e em Ciências, diz OCDE.

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Daniel Rocha

Os alunos de 15 anos sabem ler e interpretar um tema sobre o qual nunca ouviram falar? Sabem fazer comparações? Sabem ordenar informação? Os jovens portugueses que responderam às provas no âmbito do PISA (Programme for International Student Assessment), levado a cabo pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), ficam ligeiramente aquém da média da OCDE para a literacia em leitura e em ciências e, comparativamente à última avaliação, descem alguns pontos e lugares no ranking. No entanto, a organização considera que o país está de parabéns uma vez que, anos após ano, foi melhorando o seu desempenho nestas duas áreas e também a Matemática, aquela que é mais explorada no último relatório sobre o PISA, conhecido nesta terça-feira.

Se olharmos apenas para os números, observamos que os resultados dos estudantes portugueses na literacia em leitura, 488 pontos, não se destacam quando comparados com a média de todos os países da OCDE, 496 pontos. Há três anos, na última avaliação, Portugal conseguira mais um ponto (489) e a média da OCDE era de 493, o que fez o país subir para a 21.ª posição no ranking da OCDE. Agora está em 25.º em 34 estados-membros daquela organização. Embora, no total sejam avaliados 65 países e regiões económicas (por exemplo, a China submeteu a exame alunos de Xangai, Hong Kong e Macau e estas regiões aparecem isoladas no ranking).

Na literacia em ciências, os resultados são piores, quando comparamos 2009 com 2012. Então, Portugal situou-se na 24.ª posição com 493 pontos e a média da OCDE era de 501. Três anos depois, o país desce dois lugares e fica-se pelos 489 pontos quando a média se mantêm nos 501.

Contudo, a OCDE sublinha as melhorias que o país obteve desde que começou a ser avaliado. Em vez de olhar para os resultados de três em três anos, a organização observa se houve melhoria no desempenho dos alunos desde que  Portugal entrou nesta avaliação. No caso da literacia em leitura, o país está entre os 13 que mais melhoraram o seu desempenho desde 2000, a primeira vez que o estudo foi levado a cabo, até 2012. Os alunos portugueses de 15 anos que foram sendo submetidos a estas provas – que não avaliam conhecimentos curriculares mas se os alunos sabem aplicar, na vida real, conhecimentos no âmbito da matemática, ciências ou leitura –, melhoraram  1,6 pontos por ano. Em 2000 Portugal apresentava-se com 470 pontos e subiu aos 488, revela a OCDE.

A primeira vez que os alunos foram avaliados a ciências foi em 2006. Nas edições anteriores, os estudantes responderam a provas de literacia na leitura (2000) e matemática (2003). Desde 2006 que os resultados se mantêm estáveis, revela a OCDE. Entre os 64 países e regiões avaliadas, 19 conseguiram melhorias no seu desempenho científico. Portugal não é excepção. Os estudantes contribuíram para uma melhoria de mais de dois pontos por ano começaram com 474 pontos em 2006 e chegaram aos 489. Contudo, a OCDE avalia que esse movimento de crescimento está a desacelerar, ou seja, nota-se menos evolução entre 2009 e 2012 do que entre 2006 e 2009.

Voltando à literacia em leitura, Portugal não foi o único a fazer esta evolução. Países como a Grécia, Letónia, Hungria, Israel e Rússia também o fizeram. Mas há casos em que esse crescimento se reflecte visivelmente nas tabelas. É o caso da Polónia que também se encontravam na casa dos 470/480 pontos mas conseguiu ultrapassar os outros e colocar o país em sexta posição (518) na lista dos países da OCDE.

Asiáticos em alta
Com os melhores resultados na leitura estão duas regiões da China, Xangai (570) e Hong Kong (545). Os primeiros países da OCDE a marcarem presença na tabela pertencem ao mesmo continente – o Japão (538) e a Coreia do Sul (536). Segue-se a Finlândia (524) e a Irlanda (523). Os piores resultados estão na América Latina com o Chile (441) e o México (424) nas últimas posições entre os estados-membros da OCDE. Mas a lista dos 65 países e regiões económicas (por exemplo, a China participa com Shanghai, Hong-Kong e Macau) fecha com o Perú (384). 

As respostas estão divididas em seis níveis, de 1 (até 407 pontos) a 6 (até 730 pontos). Em média, apenas 1,1% da totalidade dos alunos que responderam conseguiram alcançar o nível 6 – 5% dos alunos de Singapura chegaram ao nível 6; mas entre os portugueses apenas 0,5% o conseguiram. É nos níveis 3 que estão mais portugueses (30,2%), ligeiramente acima da média da OCDE (29,1%); e no 2 com 25,5%, também acima da média geral (23,5%).

O nível 1 está dividido em três subníveis (1a, 1b e abaixo de 1b) e quase um quinto dos alunos (18%) foram classificados nestes níveis. Portugal está um pouco acima desta média da OCDE com 18,7% dos alunos a conseguir apenas responder a perguntas de resposta rápida ou a citar directamente de um texto.

Quanto à literacia em ciências, o Japão, a Finlândia, a Estónia e a Coreia são os quatro primeiros países na lista, com 547, 545, 541 e 538 pontos, respectivamente. Esta tabela constrói-se tendo em conta apenas os países que pertencem à OCDE; se forem contabilizadas outras economias cujos alunos também se submeteram às provas, a China aparece em primeiro com Xangai à cabeça (580 pontos), seguida de Hong Kong (555).

Nas ciências, apenas 0,3% dos alunos portugueses consegue obter uma classificação de nível 6, ou seja, consegue identificar, explicar e aplicar conhecimento científico e conhecimento sobre ciência a situações complexas do dia-a-dia. São alunos que revelam ter um pensamento e um raciocínio maduro. A média da OCDE é de 1,2%.

É no nível 3 que mais portugueses estão classificados (31,4%), ligeiramente acima da média da OCDE (28,8%). São alunos que conseguem identificar e descrever temas científicos; conseguem seleccionar factos e têm conhecimentos para explicar um fenómeno ou aplicar um modelo simples.

Um quinto dos alunos portugueses (19%) responde para nível 1, ou seja, revela conhecimentos muito básicos e não consegue aplicá-los em situações próximas. A média da OCDE é de 17,8%.

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