Crónica de jogo

FC Porto cai em Coimbra e o tapete começa a fugir a Paulo Fonseca

Os portistas, que desperdiçaram uma grande penalidade duvidosa nos últimos minutos, voltaram a realizar uma exibição medíocre e podem terminar a jornada 11 no terceiro lugar do campeonato.

O FC Porto atravessa um mau momento
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O FC Porto atravessa um mau momento Francisco Leong/AFP

Um ano, 10 meses e um dia depois, o FC Porto voltou a perder para o campeonato. A concluir um dos meses mais negros da história dos “azuis e brancos” – os portistas somaram em Novembro uma vitória, quatro empates e uma derrota –, a equipa de Paulo Fonseca voltou a ser displicente – falhou uma grande penalidade – e tem agora a liderança da prova em risco. A Académica, que mostrou-se ao longo do jogo sempre mais tranquila, chegou ao intervalo a vencer com justiça e, na segunda parte, resistiu à reacção “azul e branca”, aguentando o preciso triunfo, por 1-0.

A pergunta, na antevisão da partida, pareceu incomodar Paulo Fonseca: “Numa fase em que o FC Porto tem sentido dificuldade em marcar golos, por que motivo Quintero e Kelvin continuam a não ser opções mais regulares?” Peremptório, o treinador portista garantiu que actua apenas “em função de uma avaliação de todos os dias” e não “em função do que a comunicação social diz ou do desempenho que eles têm momentaneamente”. Cerca de 48 horas depois, a “avaliação” de Fonseca foi a de que Quintero, mais de dois meses depois, merecia novamente um lugar no “onze”.

O colombiano já não era titular para o campeonato desde o final de Setembro e foi uma das duas alterações de Fonseca em relação ao jogo frente ao Áustria Viena. Para além de apostar no jovem médio em detrimento de Defour, o técnico voltou a deixar cair Licá, uma carta fora do baralho contra os austríacos, e recuperou Varela. Em teoria, as peças formariam um FC Porto de tracção à frente, mas o puzzle para Fonseca voltou a ser um quebra-cabeças sem solução.

O treinador colocou Josué a fazer o papel de Defour, quase a par de Fernando, e escondeu Quintero nos flancos. Os nomes mudavam, mas o desenho táctico era o de sempre e o FC Porto manteve-se igual aos últimos jogos: apático, sem ideias e fácil de anular.

A partida começou com um lance polémico: ainda não tinha sido cumprido o segundo minuto e Josué tocou em Ivanildo dentro da área. João Capela ignorou os protestos da Académica e mandou seguir. O lance, no entanto, seria um prenúncio do que se passaria na primeira parte. Ao contrário dos jogadores portistas, que pareceram sempre jogar sob brasas, os “estudantes” tinha a lição bem estudada. Sérgio Conceição repetiu a receita de Olhão, colocando velocistas no ataque, e começou aí a puxar o tapete a Fonseca. Perante um meio-campo portista permeável, o treinador da “briosa” povoou o centro do terreno, onde Fernando Alexandre ocupou lugar de destaque, e apostou em lançamentos rápidos para Magique, Abdi e Ivanildo.

O filme da produção ofensiva do FC Porto na primeira parte resume-se em dois capítulos: Jackson, aos 19’, rematou contra Ricardo; Josué, aos 41’, arriscou a sorte do meio da rua. Do outro lado, a Académica não foi melhor em quantidade, mas mostrou sempre mais qualidade. Aos 28’, Abdi não aproveitou uma asneira de Maicon e, aos 43’, Mangala evitou em cima da linha que Marcelo festejasse. Na sequência da jogada, a Académica beneficiou de um canto e Fernando Alexandre, no segundo poste, fez golo. A ambição dos “estudantes” era premiada e a inépcia portista castigada.

Na segunda parte não houve muito mais FC Porto, mas a Académica praticamente abdicou de atacar. Aos 49’, Jackson cabeceou à barra e, uma dúzia de minutos depois, num lance que reflecte bem o actual momento caótico dos portistas, o avançado colombiano, Varela e Mangala não conseguiram colocar a bola no fundo da baliza.

Sem homens de área no banco para lançar, Fonseca apostou em Licá para jogar próximo de Jackson, mas a aposta não trouxe resultados e o FC Porto deixou de criar perigo para Ricardo. Até que, aos 84’, Jackson e Aníbal chocaram na área e João Capela, em mais uma decisão polémica, marcou penálti. Com Josué de fora, Danilo assumiu a responsabilidade, mas Ricardo travou o remate do brasileiro e deixou a liderança do campeonato à mercê de Benfica e Sporting.

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