A outra face de Amesterdão

Entre voos, temos um dia inteiro na capital dos Países Baixos. Vamos fazer desta espera um prazer. Tanto que dará vontade de ficar por lá o resto das férias

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Moyan_Brenn/Flickr

O aeroporto de Schipol serve de escala a uma série de voos, incluindo os "low cost" para outros continentes, e por vezes são precisas longas horas de espera entre destinos. Embora seja um dos aeroportos mais confortáveis do mundo, com as suas cadeiras reclináveis e áreas lounge, Schipol não bate Amesterdão em termos de encantos. A sugestão é a de que se aproveite a espera: em menos de quinze minutos, o comboio deixa-nos na Centraal Station.

Aí espera-nos o nosso veículo. Alugamos uma companheira para o dia, que nos leva onde queremos. A nossa bicicleta da MacBike denuncia-nos como turistas, mas para os sítios onde vamos seremos certamente os únicos. Mesmo com pouco tempo, a direção é rumo a uma cidade que não vem nos guias.

Para quem fica pela Damrak, a rua que vai da estação até à Dam, onde está o Palácio Real, é difícil acreditar que Amesterdão possa ter tanto de bucólico como de frenético. O comércio fácil e os néons escaldantes ofuscam a aldeia dentro da cidade, acessível aos que pedalarem sem ter medo de cair ao canal.

Há um bairro que mostra uma cidade incrivelmente mais sedutora: o Jordaan (nome proveniente, talvez, do francês "jardins"). É um antigo bairro operário, hoje uma das zonas mais trendy da cidade, onde as galerias de arte, os restaurantes e os bares se debruçam sobre os canais mais famosos de Amesterdão.

Como, por exemplo, o Browersgracht, onde estão as casas mais caras de Amesterdão, antigos armazéns que serviam para receber as especiarias do Oriente (Jacques Brel não nos deixa esquecer de que estamos numa cidade portuária) e as mais incríveis houseboats do país.

Cidade sem cortinas

Pelo caminho pode-se espiar (muito) discretamente as enormes janelas sem cortinas dos holandeses, presenciando cenas familiares no meio de tanta decoração cutting edge.

É uma glória passar o dia no Jordaan. Especialmente se for sábado e pudermos ir até ao Noordmarket, um quarteirão recheado de mercados. Entre eles, o de produtos orgânicos, mesmo em frente à Noorderkerk, onde poderá estar a decorrer um concerto.

De seguida, paragem obrigatória na esplanada do Winkel 43 para uma "appeltaart" acabada de fazer, com "topping" de natas caseiras. Não é à toa que são consideradas por quem lá vive as melhores de todas.

De tanto pedalar, é natural que doam as pernas. A solução holandesa para o cansaço (e para quase tudo) é ir até ao parque mais próximo e ficar por lá em contemplação. Neste caso, o Westerpark, onde apetece ficar durante horas de costas assentes na relva, a ouvir o "trrim" das bicicletas e a ver o tempo passar sobre as águas do grande lago.

Para os que ainda têm pedalada, a Westergasfabriek, ali mesmo, é uma antiga fábrica transformada num centro cultural, com exposições permanentes e festivais para todos os gostos. Custa muito sair do estado zen, voltar ao selim, rumar à estação e depois ao aeroporto. Mas outros voos nos aguardam. Provámos que há muito mais em Amesterdão para além do Red Light e das "coffee shops". E para quem tem pouco tempo, é quase pecado gastá-lo a ver o que todos já viram.

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