DR
Foto
DR

Megafone

PS4 <3 indies

A mensagem tem sido clara desde que a PS4 se apresentou a 20 de Fevereiro deste ano: será uma plataforma amiga dos programadores independentes

O Natal é sempre uma altura generosa para o lançamento de novas consolas. Isso e o facto de ter nas mãos um novo pedaço de "hardware" que nos promete o futuro ofusca, na maior parte dos casos, a escassez de títulos nos primeiros meses. E, pior, a qualidade de alguns desses títulos. O oposto também se verifica e existem exemplos que se tornaram ícones de novos sistemas e que permanecerão sólidos na história dos videojogos, como "Super Mario World", na Super Nintendo, "Super Mario 64" na Nintendo 64 ou "Halo" na Xbox.

A PlayStation 4 encontrou uma forma natural de solucionar um problema que foi notório na última geração de consolas — durante o primeiro ano da Xbox 360 e da PlayStation 3 (PS3) existiram poucos títulos que deixaram marcas. A mensagem tem sido clara desde que a PS4 se apresentou a 20 de Fevereiro deste ano: será uma plataforma amiga dos programadores "indie".

É uma mensagem coerente com a atitude da marca PlayStation dos últimos anos. Mas não é uma atitude que tenha estado sempre presente. A PS3 chegou atrasada a alguns dos títulos mais marcantes deste universo, como "Braid" ou "Limbo",  aqui editados anos depois de terem saído na Xbox 360 e no PC. Contudo, soube enquadrar-se no que estava a acontecer à volta e quando entrou dentro do jogo, fê-lo com força. Não só garantindo a publicação de alguns jogos importantes, como criando um catálogo exclusivo para consolas invejável: "Flower", "Tokyo Jungle", "Rochard", "The Unfinished Swan", "Journey", "Dead Nation", "Shatter" ou "Super Stardust HD", entre muitos outros.

Quando a PS4 for lançada poder-se-ão encontrar já algumas propostas fortes deste género. Versões para a PS4 de "Contrast", "Flower", "Escape Plane", "Trine 2" e "Sound Shapes" estarão disponíveis e títulos como "Daylight", "Hohokum", "Minecraft", "Octodad: Dadliest Catch", "Outlast", “Transistor” e “The Witness” serão lançados nos próximos meses. Mas a verdadeira jóia da coroa é, sem surpresas, “Resogun", desenvolvido pela Housemarque, casa responsável por "Outland", “Dead Nation” e, claro, os maravilhosos “Super Stardust HD” para a PS3 e “Super Stardust Delta” para a PS Vita. “Resogun” é o sucessor natural destes dois títulos.

É um "shoot ‘em up" com uma costela dos clássicos mas com a sua própria linguagem. Se em “Super Stardust HD” os níveis são pequenos planetas onde se anda continuadamente à volta enquanto os inimigos caem no ecrã, em “Resogun” a acção acontece dentro de cidades, num registo de corredor circular, onde o jogador pode mover-se para trás e para a frente quando quiser, bem como para cima e para baixo.

Ao longo de cada mapa/nível, além dos habituais inimigos e "power-ups" existem também alguns humanos para salvar. Esta tarefa adiciona um novo nível de dificuldade que torna a experiência “Resogun” mais entusiasmante. É um daqueles jogos para jogar infinitamente, onde o objectivo de batermos as nossas pontuações mais altas é altamente incentivado. E tentar ganhar mais pontos naquela situação é, como habitual, algo que exige muitas naves destruídas e muitas horas em frente ao ecrã com o comando na mão.

Visualmente é um espanto, com milhões de coisas a acontecerem a cada instante. Situações que, provavelmente, a PS3 não conseguiria processar mas que a PS4 o faz magnificamente. “Resogun” é inesgotável, dificilmente se tornará num clássico de lançamento, mas é um dos títulos obrigatórios (ainda por cima é gratuito para quem tiver o serviço Playstation Plus subscrito) da PS4 neste momento e, garantidamente, continuará assim por muito tempo.