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Megafone

É quase isso: o planeta dos telemóveis gigantes

Noutro dia, dei comigo entre montras de telemóveis e não pude deixar de constatar um facto: o tamanho conta. Quanto maior um telemóvel, quanto mais difícil de transportar, melhor

A batalha dos telemóveis, hoje, é isso mesmo: uma batalha. Já repararam nas potencialidades bélicas dos gigantescos telemóveis que surgem, todos os dias?

Noutro dia, dei comigo entre montras de telemóveis e não pude deixar de constatar um facto: o tamanho conta. Quanto maior um telemóvel, quanto mais difícil de transportar, melhor.

A escolha é difícil. Não, não é pelas funcionalidades: se quisermos ver um telemóvel que se encontre na parte de trás de uma montra, temos que chamar um funcionário, ele requisita a grua, desvia o elefante, a grua desce e tira os outros telemóveis da frente, para que possamos ver o telemóvel pretendido

Na verdade, não há elefante.

Os telemóveis, hoje, levam-nos mais longe. Sobretudo, porque podemos instalar quatro rodas em alguns e transformá-los em skates. Uma das marcas tem uma linha chamada “Galaxy”. A escolha está, certamente, relacionada com a possibilidade de um telemóvel transportar oitenta pessoas, um elefante, sondas e pequenas naves, para partir, depois, à descoberta do espaço.

Na verdade, não há elefante, mas tinha que o arrumar em algum lado.

Antigamente, os telemóveis cabiam no bolso das moedas. Hoje, podiam fazer de mealheiro.

Hoje, quando um telemóvel nos interrompe, ou toca num momento inadequado, a situação é mais constrangedora: o tempo que demoramos a tirar um tijolo do bolso é interminável. Quando, finalmente, estamos prontos a utilizá-lo, já nos ligaram 17 vezes e deixaram 83 mensagens.

Os telemóveis estão tão grandes que, alguns, trazem estojo. Não, não é para o transportar, é para levar a caneta para o ecrã táctil, o aguça, a régua, o esquadro e o transferidor. Também há quem use um estojo adicional, para os lápis de cor.

Noutro dia, vi um telemóvel a andar sozinho, na rua. Foi uma perfeita ilusão de óptica: era um gajo baixinho quem o transportava, do outro lado.

A batalha joga-se também nas esquinas. Não das ruas, mas dos telemóveis. Uma das marcas registou os cantos arredondados. Outras, preferem um telemóvel funcional, que permita cortar presunto ou lavrar a terra, com os cantos.

Noutro dia, fui ao cinema. Houve um problema técnico que, noutros tempos, daria direito a cancelamento da sessão. Mas estamos em 2013: um senhor chamou um funcionário, este requisitou uma grua, na qual transportou o telemóvel do senhor; o filme foi exibido no telemóvel.

O filme era passado no espaço. Apareceu o elefante.

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